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Não quero a mãe do meu filho

 

Não era endinheirado nem de perto e nem de longe, mas levava uma vidinha estável. A sua residência na zona da Liberdade, na Matola, denunciava isso. Era uma casa Tipo 3, com sala de estar e de jantar, cozinha e casa de banho interior. Enfim, era uma casa que dava para receber todo tipo de visitas.

Marcos tinha sido mandado para viver em Maputo com Victor, para poder ter a oportunidade de dar continuidade aos seus estudos num instituto, onde iria frequentar algo relacionado com administração de estradas. Iria… Iria, porque não chegou a acontecer. Na altura, as inscrições para o exame de admissão para instituto haviam terminado há uma semana. Os seus pais e o seu irmão não tinham dinheiro para pagar o curso num instituto privado, Marcos teve um ano "sabático".

-*-

Acordar, vestir-se, arrumar a cama, abrir as janelas do quarto para arejar, ir à casa de banho, urinar, defecar, lavar os dentes, tomar banho, limpar-se com toalha, sair para sala ver televisão, conversar com a cunhada, tomar o pequeno-almoço (por volta das 10:00 horas), sair para rua dar umas voltas, voltar por aí 13:00 horas, almoçar, sentar para ver novela brasileira na STV, depois ver novelas da Telemundo, depois filmes na TVCINE, conversar com o irmão quando voltava no final da tarde, ver o Jornal da Noite, na STV, tomar banho depois das 22:00 horas, e ir dormir. Foi durante muitos meses a sequência das actividades de Marcos Alferes, enquanto esperava pelo ano seguinte para voltar a estudar.

Nos meados de Abril, Marcos, num dos seus passeios “pós-pequeno-almoço”, conheceu Edson Bolone, de quem se tornou amigo após várias conversas. Edson era dois anos mais velho que Marcos. Era um jovem com uma beleza apreciável, mas perdia em comparação com Marcos. O jovem muito conversador tinha duas caras: uma para mostrar os pais; e outra para o mundo. Ele estava já a frequentar a universidade de noite e pertencia a uma rede de amigos amantes da "curtição".

Na rede, faziam parte uns cinco ou sete jovens, e todos eles rendiam-se ao Edson. Apesar de não ser tão bonito, em matéria de sexo ocasional ele era o rei. Tirava positivas atrás de positivas como fazia em provas das várias cadeiras na universidade. Em um ano já tinha tido relações ocasionais com umas cinco moças na faculdade. Na zona da Liberdade perdeu a conta.

- Não é para perdoar essas gajas - era a sua frase favorita e que repetia várias vezes para os seus amigos.

A rua onde estava localizada a casa de Victor era bem larga. Tão larga que dava para pôr mais um quintal por ali. A rua era de areia. Aliás, as ruas dos bairros suburbanos da Matola eram quase todas elas sem asfalto, só areia e quando chovia virava lama e alguns buracos evidenciavam. Em algumas casas ao longo da rua tinham pequenas barracas, que tinham sido montadas dentro das casas, junto ao muro frontal, onde vendiam um pouco de tudo e não faltava bebida alcoólica, sobretudo a cerveja, porque era o que mais era comprado.

– Deus dá carne a quem não tem dente fogooo! Marcos, mas você está se ver bem mesmo? Um gajo bonito bonito bonito, mas é matreco. Pega essas gajas meu! Pensas que vai usar isso aonde? No caixão? – provocou Edson, enquanto levava uma garrafa de cerveja à boca, e fazia pausa só para continuar a falar.

– Sai daqui você! – reagiu Marcos, que também consumia a sua cerveja.

– Hahahaha Deixa-lá! Vai acordar hahaha – intrometeu-se a dona da barraca, que se encontrava sentada no interior, a fazer nada. Aliás, bem atenta à conversa de Edson e Marcos para participar do diálogo.

Marta não se importava com o facto de Marcos aderir ou não à ideia de Edson, apenas queria entreter os seus clientes para que (os dois) permanecessem por mais tempo de pé e a consumirem mais cerveja. Ela era “contra-o-vento”, defendia sempre quem estava ser atacado.

– Lembras daquela gaja da festa de Artur?

– Qual gaja?

– Aquela que dançou maning pha! Nome dela começa com “L” ou uma coisa parecida, não me recordo do nome...

– Não estou a ver...

– Vá passear você pha! Aquela amiga de Nicole. Tinha uma blusa cor de laranja na festa de Artur pha!

– Aham! Liundi…

– Yaaaaaa!!! Essa mesmo. Rendeu contigo aquela gaja, pega lá. Parece que vive na Matola “D”, mas vem maning para casa de Nicole.

– hahahahaha... Vá passear longe! Toma lá tua cerveja aí, deixa de me viajar

– Qual é a cena?

– Eu pegar gajas feias… Estás maluco?

– Eish! Está ver Marta. Esse gajo nem Vitz tem, está correr para ter Mercedes.

– Hahahahahahaha... quer começar com Mercedes, hahahahaha... – reagiu Marta.

– Você Marcos! Como dizem esses da Igreja Universal, para de sofrer… Pega gajas que rendem contigo só… saíres da confusão…. A gaja rende contigo, não perdoa você só pega… Qual é o problema. Tens medo?

– Não rendo com ela.

– Hewene! É um bom trampolim para ti aquela ali.

– hahahahahahaha... Mas você Edson não está bem. Está a aconselhar Marcos a usar uma gaja como trampolim, é assim mesmo?

– Mas Marta, está a ver um gajo que não está a estudar, não namora, não pega damas [risos…] nem nada, só fica em casa a ver televisão e a conversar com a cunhada… haaaaaa brada, é vida isso?

– Ooohhh!

– Marta… Marcos participou num concurso de moda. Estava cheio de damas bonitas, ele não pegou nem uma, só desfilou [risos…] e ficou no quarto lugar.

– Você, acho que já está ficar grosso. Essa cerveja é a última. Depois dessa vamos embora.

– Sucá! Posso ficar grosso por causa de duas cervejas eu?!

– Depois dessa é melhor irmos, porque hoje é sábado e hoje tem liga inglesa. E jogos de hoje eish… Não posso perder…

– Marta, está a ver!

Enquanto Edson chamava à atenção de Marta, o seu telemóvel vibrou no bolso direito da sua calça caqui de cor verde escura, que tinha sido combinada com uma camiseta branca e umas sapatilhas brancas. Edson, ainda de pé, deixou a cerveja no pequeno balcão e com a mão direita tirou o smartkika. Era um SMS de uma das moças que ele havia tido relação ocasional: “Estou com saudades suas. Que tal, podemos nos ver?”. “Mais logo, na nossa esquina” foi a resposta, digitada rapidamente a tempo de dar continuidade à conversa.

– Está a ver Marta! Esse gajo ao invés de ir procurar Liundi lá, quer ir para casa ir ver liga inglesa [risos…]. Liga inglesa dele nem é futebol do país dele. Se fosse Selecção de Moçambique ou Moçambola ainda valia a pena. Mas brada, deixar de ir pegar dama por causa de Liga inglesa. Eish, nada!

– Você também, é para eu ver Moçambola?

– Qual é a cena? Não é campeonato do teu país?

– Sorry lá! Não tem qualidade aquela brincadeira! É uma palhaçada, não marcam golos, não rematam, só ficam noventa minutos a correr de um lado para o outro…

– Ok! Moçambola não tem qualidade, aceito. E você? Você tem qualidade? [risos…]

– Haaaa paga lá cerveja e vamos embora.

– Eish, você pha! O dinheiro é meu. Está me mandar ir embora, o tako não é teu e a barraca não é tua. Mas você pha! Vai te txunar Liundi espera aí – disse Edson, enquanto tirava a carteira do bolso, que estava junto à nádega esquerda, e de seguida pagou as quatro cervejas que consumiram.

ler é diversão

Os dois colocaram-se a caminhar no sentido norte, em direcção à casa, onde Marcos morava, e mais adiante tinha a estrada. Marcos estava de calções castanhos, sapatilhas que tinha usado com meias cumpridas. A meia não estava totalmente esticada, tinha um pequeno detalhe. Quando usou ele puxou a meia para cima e depois, já no pé, pegou na parte de cima e dobrou para fora como se quisesse mostrar a zona interior da meia, a seguir movimentou para baixo a parte dobrada, exibindo a parte interior. E quando estava próximo da sapatilha, pegou na parte dobrada para baixo e voltou a dobrar para cima e assim colocou a meia um pouco curta, com enfeite de meia duplicada na zona superior. Acompanhando o calção, tinha uma camiseta de riscas horizontais amarelas, vermelhas, e pretas, com gola preta e três botões na zona próxima do pescoço.

– Assim qual é a tua ideia. Para onde vais?

– Vou ter com esta moça que diz que sente minha falta.

– Você é terrível. Até mulher te mandar esse tipo de SMS!

– Se eu não sou matreco como você. Não é para perdoar essas gajas.

– Mas diz lá, bem bem... qual é o segredo?

– Hehehehe... você Marcos pah! Tenha atitude… Só isso… Deixa de trocar damas por Liga inglesa. Vai por mim, mulher dá mais emoção que golos vistos na televisão.

– Atitude só? Da forma como a team rende contigo até parece que usas remédio [risos…].

Edson parou bruscamente a caminhada! Levou o dedo indicador para zona do queixo empurrando o lábio inferior. Era o gesto frequente dele quando queria decidir entre fazer e não fazer. Marcos também parou.

– O que aconteceu?

– Queres realmente conhecer o meu segredo?

– Sim!

– Vais utilizar?

– Sim!

– Vais utilizar?

– Sim!

– Tens a certeza que vai utilizar?

– Sim!

– Anda cá… Chega mais perto.

Hesitando, Marcos aproximou-se. Só estavam eles naquela zona da rua, viam-se algumas pessoas lá no fundo. Ainda com receio do que estava para ser revelado. Quando estavam muito próximos um do outro, Edson pegou Marcos pela cintura puxou para junto do seu corpo.

– Hei! Hei! Hei! Para lá com isso. Não sou gay eu. – gritou em voz baixa Marcos, tentando desfazer-se do seu amigo.

– Queres o meu segredo ou não queres?

– Quero! Mas…

– Então calma aí.

 

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