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Não quero a mãe do meu filho

 

Sem deixar o seu amigo escapar-se dos seus braços, Edson fez um gesto como se fosse tocar nos lábios de Marcos e em seguida foi até ao seu ouvido e disse-lhe o segredo. Depois deixou-lhe.

– Percebeu?

– Sim!

-Parte III-

Ao fim de duas semanas, o segredo estava dar certo. Alguns meses depois, Marcos já estava muito envolvido na bebedeira e mulheres. Esse era o seu passatempo no ano "sabático". E tornou-se num dos melhores da team. Era isso que sempre exaltava quando estava em ambientes agitados da bebedeira. Mas para não lhe dar sossego, sempre algum membro da sua team lembrava-lhe sobre Liundi. Até que na segunda metade do ano, o desafio Liundi, que tinha já meses, foi alcançado.

-*-

– Preciso falar contigo – lia-se na mensagem recebida no Xpress music.

– Ok! Pode ser na nossa esquina - respondeu Marcos.

– Não é um lugar apropriado para isso. Encontre-me na paragem próxima da sua casa – repostou Liundi.

– A que horas?

– Agora!

– Estas com tantas saudades assim? Não tens aulas hoje?

– Não estou com cabeça para escola. Preciso falar contigo. Até já!

-*-

Na altura, o transporte mais comum para os moçambicanos era o "mini-bus" ou transporte semi-colectivo, e mais conhecidos por “Chapa-100”. Na Matola, cobrava-se sete ou nove meticais, dependia da distância. Quando Liundi desceu do “Chapa” encontrou Marcos à sua espera. Liundi estava de uniforme escolar. Foi no ano em que o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano decretou que todas alunas deveriam vestir saias que iam até depois do joelho, nada de saia de uniforme curta na escola. E Liundi estava à rigor: camisa branca dentro da saia; gravata no lugar; e saia que ia até aos pés; e seus sapatinhos rasos pretos.

Quando viu a cara de Liundi, Marcos ficou muito preocupado. O “rosto-confusão” que caracterizava a adolescente estava carregado de um ar nostálgico. Marcos estava de chinelos, uma calça preta, e uma camiseta preta com tiras horizontais de cores de vinho. Liundi usou a roupa dele para atenuar o ar.

– Não podias vestir bem para vir se encontrar comigo? Reparaste que estas todo preto?

– Ups! Nem me apercebi! – reagiu, deixando a estrada e entrando para uma rua que tinha três troncos de coqueiros cortados e organizados na forma vertical como bancos e colocados junto ao muro lateral da primeira casa da rua que estava virada para a estrada.

– Acho que podemos falar sentados aqui – sugeriu Liundi.

– Ya! – aceitou Marcos, enquanto se sentavam.

– Então, como estás? – perguntou Liundi.

– Bem!

– Eu não estou bem.

– Porquê? – questionou Marcos, olhando de forma mais atenta ao rosto triste de Liundi.

– Ontem fui à farmácia, comprar o teste…

– De HIV/SIDA? – interrompeu o jovem, levantando-se do banco feito de tronco de coqueiro.

– Não! Fui comprar teste de gravidez.

Marcos não deixou Liundi terminar. Esticou o pescoço para trás, colocando o boca, o nariz, os olhos virados para o céu e, em pé, deixou-se cair sobre o tronco em que estava sentado. Quando sentiu que as nádegas já estavam sobre o tronco, censurou o nome de Deus, e nos olhos vieram-lhe lágrimas. Lágrimas de dor. Liundi também chorou.

– Marcos, eu estou grávida – disse com a voz trémula e embargada de dor.

-*-

O quarto de Marcos era de cor azul e tinha: uma cama casal, na zona central e junto à parede do lado oposto da entrada; um armário, onde guardava sua roupa limpa; um pequeno cesto ao lado do vértice esquerdo da cama, onde deixava sua roupa suja; uma ventoinha, que estava em dias de descanso por causa do estado do tempo. Foi naquele quarto, onde Marcos ficou o dia todo, não saiu para almoçar, não saiu para ver televisão, não saiu para conversar com a cunhada, não saiu para nada. Ficou ali, a chorar. Não dormiu, só chorou. Até que noticiou um dos seus amigos com um SMS, que respondeu dizendo: Não é nada isso. Pede 400 meticais ao teu irmão e manda ela tirar isso.

Já eram 23:00 horas e tal, ele mandou um SMS para Liundi, pedindo para ela ir para o mesmo local no dia seguinte.

-*-

Liundi acordou e preparou-se como se fosse à escola. Os pais não notaram absolutamente nada de diferente. Mas Liundi não foi à escola, subiu um “Chapa” e foi encontrar-se com Marcos no mesmo local do dia anterior. Liundi encontrou Marcos já sentado nos trocos e ainda abatido.

– Bom-dia!

– Bom-dia!

– Nem te vou perguntar como está. Estamos na mesma situação.

– Sim, Liundi. Estamos mal. Tenho uma solução.

– Qual? – questionou Liundi, espantada.

– Tirar…

O silêncio tomou conta do lugar, mas os que passavam pela rua não se apreceberam.

– Aqui tens esse dinheiro. Peço para ires tirar…. – deu continuidade, interrompendo o silêncio.

– Você não trabalha e não faz nada. Como teve esse dinheiro?

– Pedi meu irmão esta manhã.

– Ele já sabe?

– Não! Não sabe! Os teus pais sabem?

– Não! Não disse nada para eles.

– Fizeste bem! Peço para ires tirar.

Liundi pegou no valor e foi-se embora. Um, dois, três, quatro, cinco, seis dias, uma semana…. Liundi ficou sem dar notícias durante duas semanas.

Quando menos esperava, Marcos recebeu um SMS: encontre-me aqui nos troncos. Marcos despediu-se da cunhada e saiu às pressas. Poucos minutos depois já estava com Liundi.

– Olá!

– Bom-dia!

– Ficaste no silêncio sem me dizer nada.

– Você também ficou no silêncio, sem procurar saber nada.

– Estava à espera do seu sinal.

– Estava a pensar.

– Pensar? Tínhamos combinado.

– Eu apenas levei o dinheiro. Não disse nada.

– Liundi brinca bem… Esse é um assunto sério.

– Desculpa! Mas eu não vou fazer aborto! – disparou Liundi, enquanto devolvia o dinheiro que Marcos lhe tinha dado. E continuou.

– Agora tenho de ir, falamos – despediu-se Liundi e foi-se embora.

Marcos ficou “maluco”. Foi atrás de Liundi. Ela apercebeu-se, correu e entrou no primeiro “chapa” que passou pela paragem, para a tristeza de Marcos. Marcos olhou para a sua mão direita e viu que tinha o valor na sua mão, correu para casa, foi para o quarto e começou a arrumar as suas roupas nas duas malas para fugir de Maputo e voltar para Manica, sua terra natal.

-Parte IV-

Será que Marcos conseguiu fugir? Como reagiu o pai de Liundi quando descobriu que Liundi estava grávida? Qual decisão tomou o pai de Liundi? Como ficou Liundi após a decisão do pai?

Tenha respostas de todas estas perguntas na parte final.

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