Biografia

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Salimo Abdula

O telefone tocou em Maputo. Da cidade da Beira ligava a contabilista da “A Iluminate”, para informar o jovem dos seus 18 ou 19 anos de idade, Salimo Abdula, que o proprietário e o gerente abandonaram a empresa, deixando três procurações.

A senhora dissera-lhe, ainda, que uma procuração era dela e a outra do procurador, mas eles não quiseram assumir a empresa de electricidade. Portanto, a única pessoa que podia salvar os cerca de 70 trabalhadores, era ele, a quem pertencia a terceira procuração.

Na emoção da juventude, Abdula aceitou o desafio e, inconsciente da realidade, deixou Maputo e regressou à Beira.

A caminho da Beira

A capital provincial de Sofala fica à aproximadamente 1 204,2 km de Maputo. Animado com a ideia de ser novo responsável pela empresa “A Iluminate”, recordou-se do seu percurso.

Começou pela infância, que passou na cidade de Quelimane, na província da Zambézia, um local que testemunhou o seu nascimento a 18 de Junho de 1963.

Aquele dia realçou o multiculturalismo de Moçambique. Amina, mulher de Inhambane, de origem asiática, acabara de dar à luz a uma criança, resultante da sua relação com Amade, oriundo de Angoche, uma cidade da província de Nampula.

Sobre a infância, recordou-se dos tempos que gostava de brincar com a fisga (objecto feito de pau, em forma de “Y” e elásticos, usado para matar algumas aves). Com ela, Abdula procurava fisgar passarinhos.

Veio, à sua memória, o que aprendera na Escola Vasco da Gama, onde frequentou o ensino primário, que foi concluído, na Ilha de Moçambique, em Nampula, onde o seu pai trabalhava como gerente do “Cinema Nina”.

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Na adolescência, Salimo era também jogador de basquetebol. Começou a trabalhar com os seus 14 anos de idade, fazendo part time no bar do “Cinema Águia”. Ele vivia com o irmão mais velho. Os dois garantiam o seu próprio sustento, uma forma que encontraram para ajudar o pai.

Foi naquela altura, que nasceu o sonho de querer jogar na Liga Norte-americana de Basquetebol Profissional (NBA). Pelo facto de ter uma altura baixa, actuou como base em todas as equipas, inclusive no Maxaquene, onde, foi Campeão Nacional, em 1983.

No fim da década de 70, ainda na sua adolescência, regressou à sua terra natal. Contudo, nos princípios de 1980, foi para a cidade da Beira, para prosseguir com os estudos, ingressando na Escola Comercial e Industrial de Sofala, no curso de contabilidade.

Foi naquela fase, que colaborou na empresa "A Iluminate". O jovem ajudava no seu part time, porque vivia na residência pertencente aos gerentes da referida empresa.

Moçambique ainda estava sob o regime socialista, sob orientação marxismo-leninismo. Ou seja, depois de terminar o curso, era o Estado, através do Governo, quem determinava o que cada cidadão deveria ser e onde trabalharia. Salimo Abdula foi colocado na Direcção Provincial do Comércio Externo.

Entretanto, o contabilista tinha ambição de continuar com os estudos. Decidiu ir para Maputo. Na altura, o país enfrentava uma guerra civil. Um dia, Salimo foi ao aeroporto e viu um avião militar a transportar pessoas. Meteu-se na fila, conseguiu entrar na aeronave. E, assim, viajou para Maputo.

Na capital do país, hospedou-se em casa de um amigo, Sulemane Latifo. Abdula prosseguiu com os estudos, no ensino superior. Ingressou no curso de Informática, leccionado em conjunto pelo Instituto Comercial de Maputo, e pela Faculdade de Matemática da Universidade Eduardo Mondlane. Mas o curso acabou por ser interrompido, para ir gerir "A Iluminate", que estava abandonada pelos donos.

Chegada à Beira

Salimo Abdula respirou novamente os ares da capital de Sofala e as recordações sobre seu percurso terminaram para dar lugar ao presente e futuro.

Ainda na emoção de assumir a empresa, pouco esperava que o conteúdo da embalagem não fosse o tal. Salimo assumiu o novo desafio. Mãos a obra! Mas quando começou a inteirar-se exaustivamente sobre a empresa, quase que apanhava um ataque cardíaco: "A Iluminate" tinha uma dívida que ultrapassava os 4 mil milhões de meticias; tinha cerca de 70 trabalhadores, e poucos activos. O jovem ficou abalado. Não podia fazer mais nada, pois havia assumido a empresa.

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Abdula decidiu reunir-se com os trabalhadores: “Eu não tenho dinheiro, mas tenho vontade. Vamos pegar nisto e trabalhar juntos?”, disse o jovem dirigente. Os trabalhadores concordaram. Entretanto, o Estado ia intervir e levar a empresa à hasta pública. No último minuto, Salimo Abdula fez uma proposta de 400 Meticais, que era o valor que tinha das suas poupanças.

A seguir, o jovem contabilista fez um estudo de mercado e descobriu que os seus objectos, que na Beira não tinham valor, serviriam na cidade vizinha, Quelimane, e vendeu-os. Com o dinheiro, reactivou as obras e arranjou o equipamento. Em dois anos, a empresa começou a ficar aliviada e, no quarto ano, já estava completamente estável.

Começou depois a prestar serviços para Quelimane, onde um dos seus irmãos era distribuidor, na indústria hoteleira. Ele deu-lhe uma cota na empresa.

Nessa altura, já vivia em Maputo, com a sua esposa, Maria de Assunção Coelho Abdula, apelido que adoptou após o casamento a 26 de Maio de 1990.

Mas continuando… O irmão convidou-lhe para a hasta pública. O lance era para uma empresa de construção, e o seu vizinho engenheiro civil, tinha a Eletrosul, que era uma oficina de bobinagem. Então propôs-lhe parceria.

Ele ficou com uma parte da empresa de construção de Abdula, e o jovem com uma fracção da empresa Eletrosul. Entretanto, quem geria tudo era Salimo, até que um dia o senhor, que também era funcionário público, decidiu vender a sua porção. O empresário comprou a Eletrosul e ficou com 100% da empresa, juntamente com a sua esposa.

Depois, formou a Intelec, uma holding. "A Iluminate" e a empresa de indústria hoteleira foram extintas. Alguns trabalhadores próximos e da sua confiança foram integrados na holding.

Passagem pela política

Em 1992, a guerra civil terminou em Moçambique. Entre 1992 e 1994, o Estado moçambicano iniciou a sua abertura para várias opiniões e os empresários começaram a entrar para o sistema político, como forma de darem o seu contributo em termos de opinião na esfera do debate. E Salimo foi “empurrado” para ser candidato à Assembleia da República.

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Foi eleito pela província da Zambézia, sua terra natal, nas eleições de 1994, tendo sido o sétimo mais votado. Teve, assim, a sua passagem pela política de 1994 a 1999. Durante aquele período, esteve do lado da bancada da Frelimo, partido no poder, que era chefiado por Armando Guebuza.

A amizade com Guebuza, que viria a ser Presidente da República, entre 2005 e 2015, iniciou com uma divergência. Salimo era um dos deputados mais jovens e não tinha "papas na língua", aquilo que achava não estar correcto dizia sem observar a regra do equilíbrio entre a coragem e o ambiente, facto que levava os mais velhos a reprimi-lo verbalmente.

Certo dia, um dos temas em debate era a educação, ele envolveu-se e advertiu que Moçambique tinha de apostar na educação maciça. Revelou ainda que, se não fossem criados embriões de qualidade de educação o país estaria condenado ao insucesso, porque não haveria quadros que defenderiam o grande progresso de Moçambique.

As palavras de Salimo geraram um desconforto e ele ficou numa situação de persona no grata, porque falou como se estivesse do lado da oposição. Abdula viria a conquistar a confiança da sua bancada, no parlamento, num dia em que havia um outro debate e a oposição tinha colocado a Frelimo numa situação embaraçosa, mas o jovem com os seus argumentos conseguiu reverter a situação. Depois recebeu um bilhetinho: “olha parabéns. Você criou qualquer coisa como uma diarreia metal na oposição.” A partir daí desenvolveu-se uma conversa natural entre ele e Guebuza.

Num belo dia, Guebuza incentivou o jovem a apostar naquilo que já vinha fazendo e aconselhou-lhe a trabalhar para criar mais postos de trabalho.

A nível do empresarial, continuou a somar. Em 1996, participou num concurso público para a privatização da Fadil, E.E, uma empresa que ia à hasta pela terceira vez, sem que houvesse interessados.

Por via da sua holding, foi o único concorrente, assumindo toda força de trabalho. Assim nasceu a “Aberdare Intelec Limitada”, uma indústria de cabos eléctricos, enquanto na outra parte do edifício, pós-se a funcionar uma outra indústria, designadamente a “Intelec Limitada, Indústria de Metalomecânica e Materiais Eléctricos”, hoje transformada em “Intelec Lites”.

A amizade entre Guebuza e Abdula foi ainda reforçada, com a entrada do então chefe da bancada da Frelimo, na “Intelec Holding”. Entretanto, Salimo continuou a ser o sócio maioritário, com 70% das acções, e Guebuza tornou-se um dos vários accionistas.

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Nas eleições de 1999, Abdula foi reeleito deputado, mas pediu para sair, porque a sua vida empresarial estava em declínio. O mau momento chegou a fazer com que a esposa, que estava a estudar Medicina, interrompesse para ajudar o esposo a cuidar das empresas.

No final do segundo mandato do Presidente Joaquim Chissano, Guebuza candidatou-se à Presidência da República e foi eleito. Um dos accionistas, que era jurista, aconselhou Guebuza a demitir-se do cargo, porque iria haver conflito de interesse. E a empresa acabou por comprar as acções que o então Presidente da República detinha.

A relação de amizade entre ambos manteve-se e Salimo foi apontado, pela opinião pública, como defensor de interesses empresariais de Guebuza. Todavia, o empresário desmentiu afirmando que não recebeu nenhum benefício, com a presença de Guebuza no poder, além de prestígio.

Abdula foi o primeiro moçambicano a estudar no Instituto de Global Ethics, nos Estados Unidos. E quando regressou ao seu país fundou a Ética Moçambique. E repostou que os seus negócios sempre foram dirigido com base na ética.

De regresso ao mundo empresarial

Depois de deixar o parlamento, a par da gestão dos seus negócios, Abdula contribuiu para o desenvolvimento institucional e dinamização da Associação Comercial de Moçambique (ACM), e da Confederação das Associações de Económicas de Moçambique (CTA).

O empresário liderou as duas organizações, tendo-se destacado na CTA, onde durante seis anos (2005-2008, e 2008-2011) foi uma voz incansável na procura de alternativas para a melhoria do ambiente de negócios, atordoado pela burocracia e formalidades excessivas, problemas que encareciam o custo para desenvolvimento de negócios em Moçambique.

Em 2007, a Intelec Holdings adquiriu cinco porcento das acções da Vodacom, segunda operadora de telefonia móvel em Moçambique. Actualmente, a holding presidida por Salimo tem 6.5% das acções daquela empresa. E no âmbito da presidência rotativa dos accionistas, Salimo Abdula foi Presidente do Conselho de Administração por duas vezes, a primeira entre 2009 e 2011, a outra entre 2013 e 2015.

Representando a CTA, Salimo Abdula candidatou-se à presidência da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em 2013, e a sua lista foi eleita com nove votos de um total de nove possíveis.

No órgão, o presidente da confederação pretende que a mesma deixe de ser um instituição com características de um clube de amigos e passe a ser uma organização com capacidade de influenciar a CPLP a transformar-se numa organização mais económica, para dar alguma solidez às relações linguísticas e culturais.

Em relação à Intelec Holdings, o grupo empresarial actua nos ramos de Energia, Publicidade, Turismo, Finanças, Recursos Minerais, Telecomunicações, Imobiliária e Consultoria. Até Agosto de 2015, a holding criada por Abdula, já tinha gerado mais de 2500 postos de trabalho.

Família e convicções

PEQUENO salimo

O casal Salimo Abdula e Maria de Assunção Coelho Abdula (ou São, como o seu marido gosta de chamar- lhe) tem três filhos. Às quartas e domingos, o empresário costuma a recordar o seus velhos tempos, disputando partidas de basquetebol, com os seus antigos colegas. A nível familiar, prefere levar a sua esposa e filhos à praia.

Abdula é um indivíduo que lê poucos livros, por estar sempre preocupado em ler relatórios das suas várias empresas. Nas férias tem o hábito de levar alguns livros, mas não os têm conseguido ler até o fim. Por resultar de uma mistura de etnias, participa nas festas de ide, natal e, quando os amigos o convidam, vai à dos hindus. O empresário é muçulmano, mas vê a religião apenas como uma forma de educação social. É defensor, pelo menos verbalmente, da honestidade e integridade nos negócios.

Referências Bibliográficas

DN PORTUGAL, 2015 - 2016 [consult. 2016-05-14 22:30:08]. Disponível na Internet: http://www.dn.pt/portugal/interior/salimo-abdula-nasci-muculmano-e-acho-que-a-religiao-e-apenas-uma-forma-de-educacao-4735790.html

“Honestidade e credibilidade maior capital no mundo empresarial”. ÍDOLO [cidade de Maputo] Maio de 2011: pag. 26-32. Impresso.

“A história de um homem rico”. SAVANA [cidade de Maputo] 23 de Outubro de 2009 Maio de 2011. Impresso.

ENCONTRO, [consult. 2016-05-14 21:22:01]. Disponível na Internet: http://www.encontroecl.com/oradores/salimo-abdula/

CONFEDERAÇÃO EMPRESARIA DA CPLP, 2015 - 2016 [consult. 2016-05-14 21:30:01]. Disponível na Internet: http://www.cecplp.org/apresentaccedilatildeo-do-livro-de-salimo-abdula-em-quelimane.html

SAPONOTÍCIAS, [consult. 2016-05-16 23:23:30]. Disponível na Internet: http://noticias.sapo.mz/info/artigo/1033678.html

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MACUAGUB, 2016 [consult. 2016-05-14 15:55:18]. Disponível na Internet: http://www.macauhub.com.mo/pt/2007/03/09/2656/

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