Biografia

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Jornalista moçambicano cria géneros textuais para o jornalismo biográfico

O jornalista biográfico, Dalton Sitoe, criou dois géneros textuais – bioepisódio e biomoment – e atribuiu outra aplicabilidade aos modelos bioficção e bioentrevista.

A acção inovadora, visa permitir que o jornalismo biográfico possa ser realizado com maior fluidez, evitando a monotonia, e satisfazer a nova linha editorial da Revista Biografia, que atribuiu ao periódico a missão de contar histórias de vida de todos moçambicanos e/ou pessoas com alguma origem moçambicana.

Na criação dos géneros, o fundador da “Biografia” contou com auxílio do co-fundador, Deanof Potompuanha, e do professor universitário, Luca Bussotti, que foi docente de Dalton Sitoe, na cadeira de Metodologia de Investigação Cientifica, na Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane.

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Eis as definições de cada género:

Bioepisódio – é um texto biográfico através do qual o biógrafo narra um episódio marcante da vida do biografado.

Diferentemente da biografia, em que o biógrafo leva para o leitor vários acontecimentos marcantes, narrando de forma profunda, o bioepisódio é específico. Durante a selecção do episódio, o biógrafo procura escolher um facto da vida do biografado e narra como a pessoa viveu ou conviveu.

O biógrafo é livre de escolher o tipo de acontecimento, mas recomenda-se que escolha episódios que abram espaço para novas perspectivas de pensamento; acontecimentos pouco conhecidos pelo público; ou casos que podem levar o público à caminhos benéficos.

A colecta de dados para a composição do bioepisódio é feita através de um diálogo com a pessoa, podendo o jornalista biográfico conversar ainda com outras pessoas envolvidas no acontecimento ou ler/ver diversos tipos de documentos relacionados com o caso, isto é, varia consoante o que pretende narrar.

Embora a colecta de dados seja idêntica a da biografia, pelo facto do bioepisódio ser específico, permite que a mesma possa ser feita em curto espaço de tempo.

A apresentação do bioepisódio para o leitor é feita através de uma narrativa em que se usa a ficção como acessório para contar o que o jornalista biográfico obteve durante a recolha e apuramento dos dados. Neste modelo, a ficção é um mero elemento usado para aprimorar a narrativa e permitir que o jornalista biográfico possa explorar os diversos tipos de descrição: topográfica; cinematográfica; e pictórica.

O texto deve iniciar com o contexto histórico em que se deu o episódio a ser narrado, com vista a atribuir um valor didáctico e permitir que leitores que nunca tiveram contacto com o tipo de realidade a ser narrada possam ter uma fácil compreensão.

Biomoment - é um texto biográfico através do qual o biógrafo relata detalhadamente um momento solene da vida de duas pessoas com ligação familiar ou prestes a estabelecê-la.

Para escrever o biomoment o jornalista biográfico tem de presenciar o evento ou a cerimónia. O biógrafo escreve, sobretudo, o que viu. É diferente da reportagem no geral, porque o biógrafo mantém um contacto “familiar” com os biografados a fim de se inteirar da vida dos dois, nos meses que antecedem a cerimónia ou evento.

Durante os meses que precedem a cerimónia, o biógrafo mergulha na vida dos dois até onde ele pode, mas sempre mantendo respeito com os biografados e as normas que regem o bom jornalismo. No dia da cerimónia/evento, o repórter biográfico deverá estar atento e anotar o máximo de detalhes que acontecem à volta dos protagonistas.

O biomoment é apresentado ao leitor em forma de narrativa sedutora, com primor e fiel ao acontecimento, ou seja, uma história sem nenhum dado fictício. O biógrafo deverá saciar o seu leitor com uma descrição que respeite tudo o que viveu no dia do evento.

Ao longo da sua descrição topográfica, cinematográfica, e pictórica, o biógrafo incorporará os dados que conseguiu recolher nos meses que antecederam o evento. O texto deve ser capaz de levar o leitor a sentir-se dentro do evento, e ainda criar emoção para quem esteve na cerimónia.

Bioficção (versão da Revista Biografia) – é o “off de record” do jornalismo biográfico. Através dele escreve-se todo tipo de material biográfico, mas nunca revela a identidade real do biografado e o jornalista biográfico escreve tudo de maneira artística, usando o poder de ficcionar. O biógrafo pode, ainda, usar este modelo para proporcionar diversão para o leitor e escrever biografias utópicas.

Bioentrevista (versão da Revista Biografia) - é um texto biográfico através do qual o biógrafo escreve o ponto de vista de uma terceira pessoa sobre o biografado. A pessoa de quem se vai falar na entrevista deve ter algum material biográfico público, que funciona como o norteador da entrevista que o jornalista vai estabelecer com a terceira pessoa.

O entrevistado deve ser uma pessoa próxima do biografado e capaz de falar com propriedade sobre o assunto que o jornalista escolhe para a entrevista. E a bioentrevista é apresentada ao leitor em forma de pergunta e resposta.

Pode-se confundir com o testemunho, mas há uma ligeira diferença, porque neste modelo quem escolhe o assunto e norteia tudo o que o entrevistado fala é biógrafo, através das perguntas. Outro aspecto é que a entrevista não visa confirmar algo, mas aprofundar o que foi escrito superficialmente no material biográfico já publicado.

Por exemplo, podemos ter a seguinte nota biográfica: “os primeiros dois anos da biografada foram difíceis porque sofria de alguma doença”. O biógrafo, querendo informar mais ao leitor acerca do assunto, pode entrevistar a mãe, por exemplo. Serve também para os casos em que o biografado tenha vivido e lembra-se muito bem, mas o jornalista prefere informar ao seu leitor através do ponto de vista de uma terceira pessoa.

a primeira

Comentários   

+1 # Bela IniciativaEdvaldo Pereira Lima 23-02-2017 17:42
Iniciativa estupenda essa sua, Dalton. As histórias de vida são o que dão sentido às existências humanas e estão na essência da nossa identidade.

Que o projeto avance com sucesso e de Moçambique possa crescer com êxito para toda a África de expressão em língua portuguesa. Abs!
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