Biografia

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Afinal? Os polícias…

Preto, vermelho e branco eram as cores do Nissan policial, dupla cabina. A cor preta estava à altura da parte superior dos guarda-lamas e daí para cima a cor da viatura era branca, mas a fechadura das quatro portas eram atravessadas por uma tira vermelha.

Sobre a cabine, havia uma sirene e na zona central da bagageira haviam seis pequenas cadeiras pretas colocadas de costas: metade virada para a lateral esquerda, e outras para a lateral direita. Em baixo das cadeirinhas suportadas por ferros, estava Nilson. Nas cadeirinhas estavam sentados quatro polícias armados com AKM’s.

Do lado de fora, não era possível ver os ferros que suportavam as cadeirinhas, porque os “taipais” da bagageira do Nissan, estavam à altura dos acentos das cadeiras.

A viatura estava em movimento, deveria estar a andar numa velocidade de 50 km/hora. De repente o carro começou a reduzir a velocidade, e Nilson apercebeu-se que a tortura, provocada pelos movimentos do Nissan policial, estava no fim. Não aguentava mais estar deitado entre aqueles ferros que suportava. Não aguentava mais aquelas algemas. Não aguentava mais a “inliberdade” de movimentar-se. Estava bloqueado, e era alto. Teve de se encolher um pouco por baixo das cadeiras para caber na bagageira e não se mexia há uma hora.

Nilson não sabia onde estava. Não via nada, os “taipais” cobriam-lhe a visão. E nem tinha como acompanhar a conversa dos polícias, eles não se dirigiam uma única palavra. Mas aquela redução de velocidade deu uma sensação de alívio na mente de Nilson. E quando sentiu a viatura a mudar de direcção, logo concluiu:

- Ah! Já chegamos à esquadra.

A viatura, nas calmas, entrou para o quintal da esquadra e direccionou-se para a zona do parque. Enquanto o carro seguia lentamente, um dos quatro polícias, segurando a AKM na mão direita, colocou-se de pé na bagageira, inclinou o seu tronco para frente, com firmeza segurou no “taipal” lateral esquerdo com a sinistra, e pulou do carro para o chão. Os outros repetiram o mesmo gesto, ladeando a viatura. Eram dois de cada lado. Quando o carro parou, os dois polícias que durante a viagem estavam na cabina – um ao volante e outro acompanhando – foram abrir a tampa traseira da bagageira para tirar Nilson daquele sufoco.

A parte traseira da viatura tinha duas luzes traseiras, uma à esquerda, e outra no lado contrário. Bem ao lado das luzes, na parte superior, tinha duas fechaduras da tampa da bagageira, uma de cada lado.

O polícia que estava ao lado esquerdo do motorista, durante a viagem, saiu sem fechar a porta, o polícia que estava a conduzir depois de desligar o motor, saiu e fechou a porta. Ninguém se pronunciou, as coisas apenas estavam a acontecer. O polícia que não fechou a porta foi até a parte traseira e abriu a tampa da bagageira, enquanto os outros polícias juntavam-se a ele, formando uma espécie de vénia. Depois de abrir a tampa, olhou para Nilson algemado entre aqueles ferros e com a mão direita bateu ligeiramente as pernas de Nilson, dando sinal para descer.

Nilson arrastou o seu corpo na bagageira até estar fora dos ferros e desceu. A sua calça jean’s azul estava toda empoeirada. A camiseta preta de marca nike, também estava empoeirada. Aos pés, trazia uns chinelos castanhos, porque foi preso minutos após sair do banho. Um dos seis polícias olhou fixamente para o rosto de Nilson por uns segundos e viu alguém que só não tirava lágrimas porque se achava muito homem. Então o polícia aproximou-se de Nilson e sacudiu a poeira nas calças. O jovem surpreendeu-se com tamanha gentileza e aproveitou a aproximação do polícia e censurou:

– Eu não sei de nada.

– O que tens para eu te proteger aqui?

Nilson olhou para baixo e ficou em silêncio. O polícia manteve-se ali, e depois de sacudir-lhe, fez a revista. Depois segurou-lhe pelo braço esquerdo e movimentou ligeiramente para frente e todos movimentaram-se em direcção à porta da esquadra.

-*-

O quintal da esquadra era protegido, nos lados, por um muro de betão de um metro e noventa centímetros. A frente, o muro tinha um metro e poucos centímetros. Era uma parede chapiscada e tinha a cor de cimento seco. A esquadra era branca, na parte superior, e azul-escuro, na zona inferior. Tinha a forma de uma residência meio estranha para aquele meio, pois era ladeada por uma varanda à esquerda, direita e na zona frontal.

A varanda era aberta e tinha apenas pilares quadrados um pouco grossos a suportarem a placa da residência. Em torno da varanda havia um passeiozinho em forma de escadinha. Havia três janelas à esquerda, três na direita, e duas na parte frontal. As duas que estavam na zona frontal estavam separadas por uma porta verde, que dava acesso ao corredor.

-*-

Algemado e ladeado por dois dos seis polícias, Nilson entrou pela porta verde e, à sua esquerda, havia uma porta castanha contraplacado. Depois da porta havia um banco de madeira cumprido, sem encosto. O polícia que lhe tinha segurado o braço mandou-lhe sentar no banco castanho, enquanto ia anunciá-lo ao comandante da esquadra.

Nilson ainda não estava a acreditar: ao sentar-se no banco começou a imaginar o que lhe esperava naquele lugar. A imaginação deixou-lhe entristecido e nervoso. Decidiu parar de cogitar e mergulhou na expectativa. Expetou que o comandante fosse ver que ele não sabia de nada. Depois de uns minutos, o polícia que lhe tinha mandado sentar interrompeu os seus pensamentos e mandou-lhe entrar para sala do comandante.

Ele levantou-se e caminhou. Não precisou de abrir a porta – já estava aberta – apenas entrou. Era uma sala vazia para aquilo que ele via em novelas e filmes. Nem computadores, nem cabos nem cadeiras para os acusados: apenas uma secretária feita de alumínio, a cadeira onde estava sentado o comandante e um banco de madeira, em frente da secretária.

O comandante tinha um corpo forte, quase para gordo, e tinha uma barriga proeminente, que se fosse mulher, Nilson pensaria em gravidez. O comandante usava óculos de vista. Tinha vestido o lindo uniforme: camisa cinzenta clara, calças cinzentas escuras, e botas pretas. Ele estava sentado. Enquanto Nilson entrava, ele acompanhou-lhe com os olhos até chegar ao banco de madeira.

– Já está a tremer? – questionou o comandante.

Nilson reagiu com o silêncio e olhou para o crachá do comandante para ver o nome. Em silêncio, Nilson leu no crachá: Osvaldo Namade. Ao perceber-se, o comandante entendeu que não estava com um vagabundo, a pessoa que estava diante de si, pelo menos tinha escolaridade.

– Sente-se! – ordenou o comandante.

Namade abriu uma das suas gavetas, tirou de lá uma esferográfica azul da Bic e uma folha A4, totalmente branca, e colocou sobre a sua secretária e escreveu: “República de Moçambique”, na zona central da parte superior da folha; “Polícia da República de Moçambique”, em baixo do nome do país; um pouco mais à direita escreveu a data. Depois pousou a esferográfica, olhou para Nilson, e perguntou:

– Seu nome?

– Nilson Artur Xivite Bazílio – respondeu o algemado.

Com a esferográfica fixada entre o polegar e a palma da mão aberta, levantou a destra e disse:

– Está a ver!? – baixou a mão quando estava próximo da secretária e voltou a levantar – Está a ver!? – baixou a mão e pousou na secretária – como é que não vai ser ladrão com esse nome. O teu pai pah! Vai pôr Xivite no teu nome para quê? Nilson… Nome bonito, mas foi estragar no Xivite. – comentou o comandante.

Nilson respondeu com silêncio.

– Teu pai estava com rancor, até ti dar nome de Xivite? Bom… Vamos ao que interessa. Como é que você roubou o mini-bus? – perguntou com voz de autoridade.

– Não roubei nenhum carro. Não sei de nada – respondeu Nilson, olhando para o comandante.

– Olha miúdo, eu não tenho paciência para palhaçadas. Não te perguntei se roubaste ou não roubaste, responde a minha pergunta. – berrou o Comandante.

Nilson calou-se.

– Como roubaste o mini-bus? Responde!

– Não sei de nada…

– Então não sabes como roubaste. Então você é um ladrão incompetente, rouba e depois se esquece como roubou, é isso? Olha miúdo, eu vou mandar te chamboquearem nas nádegas até você se recordar como roubou. É necessário?

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