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É coisa do invisível!

Estava na cidade da Matola. Vinha dos correios, usando a estrada que passa pela conservatória e a Procuradoria Provincial de Maputo. À direita, no sentido oeste – este, havia uma rotunda com quatro ramificações de avenidas, todas separadas por casas. À esquerda, havia uma via, cada uma delas tinha duas faixas, separadas por um jardim com relva já meio cansada, e umas árvores no centro. O separador devia ter por aí uns 10 metros. Ali estavam os edifícios centrais do Governo Provincial e do Conselho Municipal.

Continuei a caminhar no sentido oeste – este, seguindo uma das ramificações da rotunda. A estrada era de sentido único, com duas faixas. Havia uma agência EDM, à esquerda, e mais adiante havia um mercado conhecido por Madruga. A EDM era ladeada por um pequeno muro, de cor amarela, com pilares cor de laranja e grades com a mesma cor. Entre o muro e a estrada havia uma passadeira de betão, e junto ao muro havia uns bancos de betão.

Depois de passar do primeiro banco de betão [onde estava sentada uma criança, dos seus seis anos ou menos, vendendo amendoim] deu-me uma vontade de ir relaxar no Parque dos Poetas, jardim que estava do outro lado da agência. Levei a minha mão direita para o bolso direito e tirei de lá o meu telemóvel para ver a hora. Eram 10:30 horas. Dava tempo para ir refrescar as ideias, relaxando no jardim, até porque era sexta-feira. Entre entrar pelo portão de trás e o de frente, o mais próximo era o de trás, por isso voltei para zona da rotunda e contornei a agência.

Após entrar no jardim, você nem pode imaginar. O verde daquele lindo jardim transmitia uma sensação agradável, as árvores então, abanavam segundo a suave vontade do ar, oferecendo uma frescura daquelas… Havia gente aproveitando o relvado do jardim para captar fotografias após dar um nó. Os familiares contemplavam à sombra do jardim, outros não conseguiam conter a emoção e seguiam os recém-casados, enquanto o fotógrafo ia captando a imagem do casal, que mudava o estilo, imitando o que viram nas revistas de noivas.

Por ser comum, não me chamou tanta atenção, apenas procurei um banco que estava mais distante deles, para poder relaxar em paz. Mais adiante, havia um pequeno estabelecimento de uma florista feito de madeira e ao lado havia um banco, pintado com a cor verde, foi ali onde sentei.

Por alguns minutos fiquei ouvindo música. De repente deu-me vontade de desligar a música e contemplar a beleza do jardim, e caiu-me uma ideia de negócio para a Revista Biografia. Tinha um pequeno caderno de capa preta na mão, arranquei uma folha, ainda sentado coloquei a perna esquerda sobre a perna direita, suportei a folha no caderno e comecei a escrever.

Num gesto panorâmico, involuntário, partindo da esquerda para direita, vi uma jovem indiscutivelmente bonita. Muito bonita! Dogmaticamente bonita! Era clara, estava de um vestido meio rosa, que ia até aos joelhos. Na cabeça, trazia um lenço amarrado à moda juvenil, e nos pés, umas sandálias de sola grossa. A simplicidade da sua roupa expunha a sua beleza. Para a infelicidade da minha timidez, a jovem veio em direcção ao banco, onde eu estava sentado.

Não dava para acreditar. Era como se o propósito da minha impulsiva ida ao jardim fosse contemplar a beleza daquela jovem. Ao chegar no banco, com a mão direita, ela tirou as folhas da árvore que ali tinham caído. Questionei-me: o que está para acontecer aqui? De algo tinha certeza: ela ia sentar ao meu lado. Então fiz a saudação de praxe:

– Olá! Como está?

– Ih! De saúde estou bem, mas os meus dias não estão assim tão bem. Não estão bem, pronto! – respondeu, enquanto sentava do meu lado direito.

– Como assim? – Questionei, encostando a minha coluna no banco, olhando para ela.

– Minha cabeça está confusa. Até criei uma história para sair do serviço para ver se arrefece. Já não estava a aguentar.

– És muito bonita! Será que os homens andam a atrapalhar o teu lar? Ou teu marido está a demorar pedir-te em casamento? [risos…]

– Não sei quem vai me casar, Isso sim!

Em meio choque tirei a minha coluna do banco. Ainda sentado olhei para ela, espantado. A ideia de quebrar o gelo tinha surtido efeito, mas por aquela não esperava.

– Minha querida! Explica-me bem isso…

– Estou enrolada, na verdade. Tem um de promessas, mas eu já não estou disposta a viver promessas. Quero viver o cumprimento dessas promessas. Tem um que já tem algo concreto, só precisa do meu “sim”, mas está difícil confiar nele. Percebes?

– Espera! Espera! Espera! Primeiro, vamos desconstruir isto. Por que motivo não podes confiar neste, que tem uma proposta concreta?

– Ele vai e volta, vai e volta, e é a quarta vez que faz isso. Sempre volta com a história de arrependimento. É verdade que desta vez me convence que está arrependido, mas está difícil acreditar.

– E o outro?

– São promessas atrás de promessas. Ele tem uma mulher e um filho.

– O jovem de promessa concreta está sozinho?

– Separou-se, há pouco, com a jovem com que se foi juntar quando se separou de mim. E na relação deles tiveram um filho.

Por uns segundos ficamos a ouvir o som das árvores daquele jardim. Olhei para ela e perguntei:

– Para sua vida, o que você quer?

Ela pensou por um instante e reagiu:

– Eu quero ter a oportunidade de cuidar do meu filho.

– Quem é o pai do teu filho?

– É do que quer voltar.

– Agora não estás a cuidar dele porquê?

– Ele está a viver com a avó. E eu estou a viver sozinha.

– A casa é tua?

– Estou a arrendar, mas já tenho um terreno e estou para construir a minha casa.

Peguei no papel que tinha na mão e com a esferográfica esbocei um triângulo, colocando ela entre os dois, e o sinal de um filho em cada um deles. A seguir, contei para ela a história que me contara, para certificar se tinha entendido correctamente, para depois dar a minha opinião. No meio da minha explicação ela interrompeu-me.

– Ele abandonou-me enquanto eu estava grávida, e até mudou de número de telemóvel. Magoou-me, e foi muito difícil perdoa-lhe naquele tempo. Veja que sempre sonhava com ele no meio do cruzamento de uma estrada, andando de um lado para o outro sem direcção. Chegou a ligar para mim tempos depois a dizer para eu desmanchar onde amarei, porque as coisas dele já não estavam andar [risos…]

– Tinhas amarrado algo?

– Não. Com o tempo consegui perdoar-lhe. Tempos depois voltamos, mas depois nos separamos. Aí já não voltei para casa dos meus pais, procurei uma casa e arrendei.

– Qual é problema de arriscares com esse que tem uma proposta concreta?

– Das vezes que me deixou eu voltei à estaca zero. Tudo bem que ele mostrou arrependimento e me convence, mas não sei se desta vez vai ser diferente. A mãe dele chegou a aconselhar-me a impor condições para ele voltar, e todas condições que eu queria impor sem sequer que eu revelasse, ele manifestou o interesse. E numa primeira fase pensa em construirmos algo no meu terreno, que é para não morarmos na casa dos pais dele. Mas veja, para eu voltar efectivamente para ele tenho de deixar o jovem de promessas. Isso significa magoar-lhe, e eu não quero. Sem esquecer que se ele voltasse a me abandonar ficaria destruída e sem ninguém. Não quero voltar a sofrer com o mesmo problema, até parece que eu não aprendo.

Atirei a minha coluna para o banco, movimentei a minha cabeça para cima e para baixo…

– Que história interessante é a sua, hein?! É complicada de se resolver, mas ok! Ok! Se não estivesses com este de promessas seria mais prático, era só te dizer para antes de avançar com as tais condições voltasses para ele aos poucos, com um namoro, para veres se realmente mudou e também para reactivares a confiança. Mas como são dois e tens de ficar com um, e não sabes do amanhã, tem de ser você mesma a escolher. Mas faz assim, defina o que queres na tua vida, as consequências de que estás pronta a derrubar, e escolhe quem está mais próximo disso. Só avança quando tiveres convicção.

– Minhas amigas têm me aconselhado a voltar para o pai do meu filho. Mas não sei até quando ele vai continuar com este vai-e-vem todo. E não posso magoar uma pessoa que tem estado comigo, sobretudo quando preciso dele.

– Olha, moça! Eu conheço alguém que pode te dizer até quando o pai do teu filho continuará com o vai-e-vem, e pode te dar o melhor conselho para sua situação.

A jovem fez uma cara estranha. Eu fiquei sem saber se continuava a falar ou parava, mas recordei-me que já havia iniciado.

– Yaaa! A pessoa mais indicada para te ajudar a escolher é Deus. Mas sabes como é que é, aí funciona fé e não sei se você é crente.

– Eu sei que Deus é o melhor conselheiro.

– Haaa... então é simples, é só orar perguntar-lhe. Não te digo isso à toa, já estive numa situação delicada, depois de dias perguntando tive resposta.

– Como? Através da Bíblia?

– Não, fiquei diante das coisas várias vezes e dias próximos, e cada vez mais convicto. Não sei se vai ser assim contigo. Se o jovem das promessas virá terminar a relação contigo, e você conformar-se-á e ficará com o pai do teu filho. Se ele virá cumprir a promessa e você desistirá do pai do seu filho, se vai ser através da Bíblia, ou ainda se vais ficar convicta no que mais pensas em fazer, se vai surgir um outro pretendente... isso não sei, só sei que não falha, terás a resposta.

No instante seguinte, pegou no seu telemóvel, mostrou-me o ecrã e disse:

– Veja [risos…]. Não se fala nele que ele liga.

– É o pai do seu filho?

– É ele, sim.

– Então?! Não atendes?

– Melhor não.

– Tipo?!...

– Melhor não. Vamos continuar a conversa….

E a nossa conversa continuou, com um novo assunto. Conheci o nome dela [que não te vou dizer] e ela conheceu o meu, e ficamos a conversar até por volta das 12:30 horas, altura em que ela sentiu que tinha de voltar ao trabalho. Mas a conversa estava tão boa e ela era tão bonita que preferi acompanhar ela, primeiro para o seu destino, e depois para o trabalho. Ah! O que uma conversa não pode fazer?!

Quando terminei de escrever ela ligou para mim, informando que teve um fim-de-semana memorável: vai casar com o pai do filho. Ao jovem, parabéns pela atitude. Ao casal, desejamos que Deus possa se evidenciar através da vossa família.

[Fim…]

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