Biografia de Venâncio Mondlane

Venâncio António Bila Mondlane nasceu na cidade de Lichinga, na província do Niassa (Moçambique), a 17 de Janeiro de 1974. É engenheiro florestal, bancário de profissão e pastor, não obstante ser mais conhecido publicamente como político, pela popularidade alcançada nas sétimas eleições presidenciais, onde, segundo os órgãos eleitorais, ficou em segundo lugar — resultado não reconhecido por si.

O histórico da sua família está ligado ao partido Frelimo. O seu pai chegou a ser Director-Geral da EMOSE, a maior seguradora do país. O seu falecido avô, Boaventura Boane, era decano da Frelimo. É lembrado pelas festas anuais de canhu, que organizava na sua quinta, onde mantinha uma plantação.

Sabe-se, por exemplo, que, enquanto o seu avô estava vivo, altos dirigentes da Frelimo, como o ex-Presidente da República, Armando Guebuza, deslocavam-se à sua quinta na altura das festas do canhu. Foi pela mão de Boane que Venâncio Mondlane passou a ser membro efectivo do partido Frelimo, aos 18 anos de idade.

Pelo que Mondlane se lembra, não houve espaço para negociação. Foi só chegar, dizer: “tira uma foto aí, assina isto, és membro do partido”. Para ele foi algo natural, pelo que não se opôs, pois era uma espécie de cultura e tradição da família. O seu avô e Edson Macuácua, então secretário de Mobilização da Frelimo, mais tarde o introduziram para funções concretas  no partido.

Já em 2002, era funcionário do grupo Millennium BIM, onde ao longo do tempo actuou como especializado em análise económico-financeira de grandes empresas para operações de crédito, factoring, leasing e grandes investimentos; gestor corporate de grandes empresas; técnico sénior para elaboração de normas e procedimentos bancários. A Frelimo, em 2002, tinha interesse em estabelecer uma ligação com o sindicato bancário, então viu em Mondlane uma via mais prática para o efeito, pelo que o integraram na mobilização.

No ano seguinte escreveu um texto para a separata cultural do jornal Notícias, o mais antigo do país em circulação, sobre o papel do estudante universitário no desenvolvimento do país. Um produtor brasileiro da estação privada de TV Miramar gostou muito do texto, mandou-lhe procurar, e perguntou-lhe se poderia apresentá-lo na televisão.

Então foi lá. Ficaram muito impressionados e, nesse dia, convidaram-no para ser comentador residente na TV Miramar. Foi nessa ocasião que conheceu o actual Presidente da República, Daniel Chapo, que era na altura jornalista desse canal televisivo. Trabalharam juntos durante aproximadamente um ano, onde Chapo, como jornalista, entrevistava Mondlane, sendo ele comentador residente.

A determinado momento, segundo conta, começou a fazer comentários desajustados à disciplina partidária. Como membro do partido, estava a ter um comportamento desviado pelo que dizia no programa. Pelo que contou numa entrevista, nessa altura, Edson Macuácua, como secretário da Mobilização da Frelimo, tentou dissuadi-lo de fazer aqueles comentários, porque era membro do partido, e desentendeu-se com ele. Rebelou-se, afirmando que não iria parar de fazer os comentários que entendesse, apesar de desagradarem ao partido. A partir daí nunca mais teve qualquer actividade concreta na Frelimo. Mondlane revelou que arranjaram-se formas de cortar o contrato que tinha com a Miramar.

Sabe-se, através da sua irmã, que o pai de Venâncio chegou a ser chamado pela Frelimo, assim como ligavam-lhe muitas vezes a fim de levar o seu filho a não continuar com aquela postura. O pai fez de tudo para que “Venacito” parasse com aquele tipo de críticas. Ele não parou, pois acreditava que alguém deveria aparecer a dar uma opinião diferente em relação à repetição religiosa do que a Frelimo dizia.

Era já uma figura com notoriedade, fruto do seu activismo cultural e social. Ao nível da cultura, notabilizou-se como colunista de uma das maiores revistas literárias do país (Lua Nova), e no âmbito social através de iniciativas humanitárias, entre as quais se destaca a mobilização de bens duradouros e não perecíveis para vítimas das cheias de 2000.

Quando a porta da Miramar se fechou, passou para outras televisões; porém, a sua notoriedade cresceu mais na STV, no programa “Pontos de Vista”, onde tecia os seus comentários como independente, num espaço em que também participavam um membro da Frelimo e outro da Renamo. Foi depois contratado pela STV para outras produções como “Especial Eleições”, em 2009, e “Estado da Nação”, onde se projectou ainda mais, pois era um espaço de debates calorosos. Era respeitado pelo equilíbrio das suas posições. Já em 2013, entrou para a política activa.

Venâncio na política activa

Mondlane foi convidado pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM) para ser candidato a presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, nas eleições autárquicas de 2013, tendo, pela primeira vez na história, levado a oposição a conseguir uma cifra de 42 por cento dos assentos.

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Recorda, todavia, que as contagens nas mesas de votação davam-lhe vantagem até que, à meia-noite, houve um apagão, deixando a cidade às escuras. Quando foi restabelecida a corrente eléctrica, por volta das 3.00 horas, o cenário já estava invertido. Procuraram reclamar junto ao Conselho Constitucional, mas este considerou que não havia provas de que houve fraude.

Tornou-se, por conseguinte, chefe da bancada do MDM na Assembleia Municipal da capital do país, entre 2014 e 2015, ano em que foi eleito deputado na Assembleia da República pelo mesmo partido, assumindo as funções de relator. Foi já no Parlamento onde se desapontou com essa força política.

A multinacional italiana ENI, a primeira a fazer prospecção de petróleo e gás, cedeu parte das suas participações financeiras a uma multinacional americana. Quando tal acontece, há as mais-valias que ficam com o Estado e nessa operação, em 2016/17, o país recebeu 350 milhões de dólares. Apesar de muita gente ter aplaudido, o deputado desconfiou e procurou, pelo Centro de Integridade Pública (CIP), verificar, através da lei, se estava tudo correcto nesse negócio, tendo-se constatado que Moçambique deveria ter encaixado cerca de 800 milhões de dólares.

Apresentou, depois, um projecto de criação de uma comissão “ad hoc” para investigar essa transacção financeira, mas, segundo contou numa entrevista concedida à revista portuguesa Visão, o MDM fez de tudo para que esse assunto não fosse debatido no plenário.

Essa decepção deu-se numa altura em que Afonso Dhlakama, então presidente da Renamo, já vinha mantendo contacto com Mondlane, já desde 2008 e 2009, convidando-o para entrar para esta que era então a maior força da oposição do país. Venâncio recusava porque não via com bons olhos a Renamo. Havia, na altura, muito preconceito em torno da “perdiz”. Mas, após desapontar-se com o MDM, foi para a serra da Gorongosa, em Setembro de 2017, conversar presencialmente com Dhlakama, um ano antes do líder da oposição falecer.

Pelo que relatou Fernando Mazanga, um membro da Renamo, o interesse de Dlhakama por Mondlane estava intimamente ligado ao seu sonho de ver a Renamo vencer as eleições municipais na cidade de Maputo. Apesar do diálogo em 2017 na serra, não foi daquela vez que aceitou entrar no projecto da Renamo, algo que só aconteceu em Abril de 2018. Sua mudança do MDM para a “perdiz” foi bastante mediatizada, pois já vinha trabalhando na sua imagem pessoal nas redes sociais, sobretudo Facebook.

No mês seguinte, Maio de 2018, o líder da oposição, Afonso Dhlakama, morreu. Na disputa pela sucessão, o recém-chegado Venâncio Mondlane apoiou Ossufo Momade, que ascendeu ao cargo de presidente da Renamo. Ainda procurou atender ao pedido de Dhlakama, que era voltar a concorrer nas eleições autárquicas desta vez pela Renamo, mas houve uma impugnação solicitada pelo seu antigo partido, MDM, que considerou ilegal a candidatura, por Mondlane ter renunciado ao mandato na Assembleia Municipal de Maputo, em 2015.

Passou, em 2019, a ser assessor do presidente da Renamo para Assuntos Políticos e mandatário nacional deste partido. No ano seguinte foi eleito deputado na Assembleia da República pelo partido Renamo para a IX Legislatura, assumindo as funções de relator da bancada.

Nas eleições autárquicas de 2023, o político concorreu para o município de Maputo, tendo, segundo os órgãos eleitorais, sido derrotado por Rasaque Manhique, da Frelimo, partido no poder, embora Venâncio Mondlane tenha rejeitado os resultados.

Desde o anúncio dos resultados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) do escrutínio de 2023, Venâncio Mondlane conduziu cerca de 50 marchas contestando os resultados eleitorais, com registo de pelo menos dois episódios que culminaram com escaramuças entre simpatizantes do partido e as forças policiais, tendo algumas pessoas chegado a ser detidas.

Viu-se, depois, uma sequência de críticas à liderança de Ossufo Momade, na Renamo. Venâncio realizou, ao lado do seu advogado, uma série de acções jurídicas junto ao tribunal, que culminou com a realização do Congresso Nacional deste partido, onde deveriam ser realizadas eleições internas, uma vez que a direcção da Renamo já estava fora do seu mandato. Mondlane tentou candidatar-se à presidência do partido, que lhe daria a oportunidade de concorrer para as eleições presidenciais através da segunda maior força política do país, mas foi impedido alegadamente por não reunir requisitos para o cargo.

Candidato à Presidência da República

Em Maio de 2024 iniciou a recolha das 10 mil assinaturas necessárias para concorrer às sétimas eleições presidenciais. E, em Junho, renunciou ao mandato como deputado da Renamo e também à sua qualidade de membro do maior partido da oposição. Teve sucesso na recolha das assinaturas.

A 6 de Junho de 2024 submeteu a sua candidatura ao cargo de Presidente da República, declarando-se concorrente pela Coligação Aliança Democrática (CAD), com quem fez uma parceria a fim de o suportar nesta iniciativa. Apresentou um expediente suportado por 20 mil assinaturas.

Subindo em cima da cabine do carro ou camioneta com colunas, Venâncio arrastou multidões prometendo reformas no país

A CAD ficou, contudo, fora da corrida eleitoral para escolha de deputados e de governadores e, consequentemente, de membros das assembleias provinciais, nas eleições daquele ano, pelo facto de a Comissão Nacional de Eleições (CNE) ter se apercebido de que houve incumprimento de procedimentos legais na inscrição desta coligação. Como já havia sido ultrapassada a etapa de inscrições, não houve possibilidade de corrigir a irregularidade.

A acção da CNE foi vista como uma manobra para “cortar as pernas” de Venâncio Mondlane, pois daquele modo ficava sem uma bancada parlamentar para suportar-lhe caso vencesse as eleições para viabilizar os seus projectos de governação, por exemplo, e também ficava sem a opção de ser deputado caso não vencesse as eleições.

Em reconhecimento do seu capital político, surgiram depois vários partidos para suportar a sua candidatura. A 21 de Agosto de 2024, a poucos dias do arranque da campanha eleitoral, anunciou ter chegado a acordo com o Partido Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS). Contudo, vários partidos que apenas concorriam para Assembleia da República juntaram-se a Mondlane, incluindo Revolução Democrática (RD) e Nova Democracia (ND).

Com uma camioneta com colunas, e subindo em cima da cabine do carro nos locais de encontro com a população, Venâncio percorreu longas distâncias em inúmeros distritos, arrastando milhares de pessoas durante a campanha eleitoral, prometendo reformas estruturantes para melhorar as condições de vida do povo moçambicano.

Atraiu numerosos jovens e ainda durante a campanha convenceu a opinião pública, que acreditava que a sua popularidade era apenas em Maputo, de que as sétimas eleições presidenciais seriam disputadas entre ele e Daniel Chapo, candidato da Frelimo, que é o partido no poder desde que Moçambique conquistou a independência nacional, deixando para trás Ossufo Momade, da Renamo, e Lutero Simango, do MDM.

As eleições aconteceram a 9 de Outubro de 2024. E já naquela noite em que foi feita a contagem dos votos nas mesas, em inúmeras era audível a confirmação desta disputa entre Mondlane e Chapo, assim como a ascensão do PODEMOS, saindo do nível de um partido com pouca expressão no país para actor relevante.

Desde a noite de contagem, Mondlane queixou-se de que estavam a acontecer no país acções visando manter a Frelimo no poder, por meio da troca de urnas e outras artimanhas. E enquanto decorria a centralização de dados nos distritos, anunciou que os resultados da contagem paralela que a sua equipa estava a levar a cabo, e que estavam a 25 por cento de processamento, colocavam-lhe como vencedor das eleições, na companhia do PODEMOS. Contudo, os resultados oficiais colocavam-lhe no segundo lugar e com números bem distantes do primeiro classificado.

Iniciou depois uma onda de manifestações visando a “verdade eleitoral”, pois os resultados carregavam consigo inúmeras anomalias, sendo a discrepância entre o total de votantes as eleições presidenciais e legislativas uma das principais. No veredito final, o Conselho Constitucional validou os resultados divulgados pela CNE com algumas alterações, justificando, essencialmente, que o recurso do PODEMOS não oferecia alguma credibilidade, pois não tendo editais completos, a soma dos votos das presidenciais ultrapassavam os números da CNE, que tinha editais completos.

Com efeito, Venâncio Mondlane não reconheceu os resultados, tendo-se mantido fora do país por dois meses e a partir de lugar desconhecido convocou uma série de manifestações e que tiveram adesão popular. Ao regressar ao país, a 9 de Janeiro de 2025, proclamou-se e empossou-se “Presidente Eleito pelo Povo”, poucos dias antes da cerimónia oficial da tomada de posse de Daniel Chapo, vencedor das eleições, segundo o Conselho Constitucional. Mondlane considerou esta situação — ter dois presidentes — como um desafio à democracia moçambicana.

Venâncio destacou-se também pelo investimento que fez na exploração das redes sociais, sobretudo o Facebook, com transmissões ao vivo que atingiam números de visualizações estrondosas, jamais vistos no país. Mais de 130 mil pessoas acompanhavam em directo as suas intervenções no Facebook.

Dados disponíveis, citando organizações não-governamentais que acompanharam o processo eleitoral, indicam que cerca de 400 pessoas perderam a vida em resultado de confrontos com a Polícia, durante as manifestações pós-eleitorais, além de destruição de património público e privado, saques e violência. Este conflito cessou após encontros entre Mondlane e o Presidente da República, Daniel Chapo, em 23 de Março e em 20 de Maio de 2025, com vista à pacificação do país.

As “lives” de Mondlane no Facebook, porém, foram utilizadas pelo Ministério Público para acusá-lo de cinco crimes, no âmbito das manifestações pós-eleitorais, incluindo incitamento à desobediência colectiva e instigação ao terrorismo.

Revelou que manteve a sua consciência tranquila após ser notificado destes crimes pela Procuradoria-Geral da República (PGR), afirmando, em declarações à imprensa, que prestou um grande serviço à nação. Argumentou que “é a primeira vez em 30 anos de democracia em que se conseguiu levar até ao extremo a questão de desvendar, tirar o véu da fraude, levando até à extrema resistência contra um regime ditatorial que se mantém com base nas armas, nos assassinatos e nos sequestros”.

Durante as manifestações, o PODEMOS, partido político que suportou a sua candidatura, decidiu que, independentemente dos resultados, os deputados eleitos nas legislativas iriam tomar posse, apesar de não reconhecer os resultados das eleições. A decisão, tornada pública por Albino Forquilha, através de conferência de imprensa, gerou desavença com Mondlane, e os manifestantes, acusando-o de ser traidor. Houve tentativas de reconciliação que não surtiram efeito.

O PODEMOS tornou-se, assim, a segunda maior força política do país no Parlamento, empurrando a Renamo para terceira posição, e o MDM para quarta. Antes de Daniel Chapo assumir o poder, Filipe Nyusi procurou durante as manifestações criar uma plataforma de diálogo entre os candidatos, mas Mondlane reagiu com termos de referência, aceitando o convite desde que fosse por via virtual. Acabou por não acontecer, estabelecendo-se outra plataforma entre partidos políticos.

Nascimento do ANAMOLA

Em Fevereiro de 2025, Mondlane anunciou que iria criar o seu partido, após o fim do acordo com o PODEMOS. A primeira ideia era que o partido tivesse o acrónimo ANAMALALA, uma expressão que se tornou popular durante a sua campanha eleitoral. Ela significa “acabou” ou “basta” em Emakwa, uma das línguas nacionais em Moçambique.

O Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos (MJACR), todavia, não concordou, justificando que haveria com este acrónimo a possibilidade de se promover o divisionismo entre os moçambicanos. Outra justificativa era de que ANAMALALA não era uma designação fiel do partido “Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo”. Sustentou, igualmente, que os partidos políticos não devem ter designações em línguas nacionais, diferentes do Português, violando a Constituição da República. Com efeito, o acrónimo mudou para ANAMOLA, mas o nome manteve-se: Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo. Este foi aprovado em Agosto de 2025.

Venâncio Mondlane foi eleito presidente interino do partido a 19 de Agosto de 2025, durante a primeira reunião da Comissão Executiva desta formação política. Foi indicado para liderar o ANAMOLA até à realização do primeiro Conselho Nacional, em Setembro de 2025, na cidade da Beira, mês em que também foi lançado oficialmente a agremiação política. O Conselho Nacional decidiu, contudo, passar para o primeiro Convénio, agendado para Junho de 2026, a eleição do líder da agremiação, permanecendo Venâncio como interino.

O pedido junto do Chefe do Estado, Daniel Chapo, para integração do ANAMOLA na Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo, foi um dos primeiros actos desta força política, sob liderança de Mondlane. Trata-se de uma iniciativa liderada pelo Presidente da República e que conta com a presença de partidos com assento na Assembleia da República (Frelimo, PODEMOS, Renamo e MDM) e nas Assembleias Provinciais e Municipais (PARENA, PAHUMO, Revolução Democrática, PARESO e Nova Democracia). Avançou-se para este modelo durante as manifestações, após ter havido um impasse para efectivação do diálogo entre os quatro candidatos presidenciais.

O político explicou que o ANAMOLA tem três grandes prioridades para o país, nomeadamente, mudar as regras do jogo (reformar o quadro normativo, desde a Constituição da República, passando pelos sistemas eleitoral e fiscal); investir em infra-estruturas (estradas, escolas, hospitais e tecnologia); e desenvolver o capital humano e social. Defende, todavia, que não será uma força política que vai tirar a Frelimo do poder, mas sim um movimento mais amplo, que inclui, por exemplo, a sociedade civil e não só.

Infância, formação e espiritualidade

Se calhar há que explicar que Venâncio Mondlane é o quinto de nove filhos (dois já morreram) de Venâncio e Virgínia. A família é do Sul do país, mas ele nasceu na então Vila Cabral, hoje Lichinga, porque o seu pai estava a trabalhar temporariamente em Niassa.

Imagem captada no dia do lançamento do cartão físico do partido ANAMOLA

O seu progenitor trabalhava na Nestlé. Mas foi na maior seguradora estatal de Moçambique, a Emose, onde entrou para o departamento financeiro depois da Independência Nacional, que, segundo escreve o jornal português Observador, fez um longo percurso profissional, chegando a Director-Geral, cargo que ocupou durante muitos anos até se reformar.

Venâncio cresceu assim no bairro Choupal, que hoje se chama 25 de Junho, na cidade de Maputo, praticou artes marciais, leu e debateu muito sobre vários assuntos em grupos de amigos e não só. Fruto das suas habilidades intelectuais, aos 14 anos já dava explicações no quintal da casa, a crianças da sua zona.

A decisão de formar-se em engenharia florestal deu-se depois de ter tirado uma negativa na cadeira de Geografia, na sétima classe. Foi um susto para ele, pois estava habituado a tirar positivas. Decidiu então voltar a concentrar-se nos estudos, pois as novas amizades tinham levado a distrair-se daquilo que era prioritário.

Na luta por corrigir o erro, empenhando-se em ler mais, houve um dia em que acertou uma pergunta feita pelo seu professor, que ninguém tinha conseguido responder na turma. A partir daí foi acarinhado pelo professor de Geografia; chegava inclusive a confiar-lhe a turma para explicar algumas matérias. Foi daí que surgiu a paixão pelo mundo do clima, floresta e recursos naturais.

Na hora de escolher por um curso para licenciatura, na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), optou por Engenharia Florestal. A irmã de Venâncio revelou ao jornal Observador que, em parte, essa decisão foi influenciada pelo facto de ser o curso com mais vagas.

Apesar do seu percurso estar intimamente ligado ao sector bancário, estando actualmente o seu contrato com o banco BIM suspenso, antes de entrar para esse ramo, trabalhou na sua área de formação, entre 2000 e 2002, como especialista em elaboração e implementação de normas internacionais ISO para certificação de produtos florestais e outros produtos de importação e exportação em grande escala nos portos e aeroportos na multinacional de origem suíça, a Société Générale de Surveillance (SGS). Pelo que conta, foi ele próprio quem apresentou essa ideia inovadora e instalou esse departamento.

Na tomada de posse como Membro do Conselho do Estado

Quanto à sua espiritualidade, cresceu numa família protestante, mas a ligação era muito circunstancial. Até leu várias vezes a Bíblia de Génesis a Apocalipse, mas por mero interesse intelectual, na sua fase de leitura dos filósofos gregos como Sócrates, Séneca, Platão. Não queria saber nada de igrejas.

Pelo que sua irmã conta numa entrevista, a conversão de Venâncio acontece quando tinha quase 40 anos de idade; só depois do primeiro casamento, de que tem uma filha (tem mais dois filhos do segundo matrimónio), foi alcançado por Jesus. Estava a passar por uma fase desregrada, turbulenta, de muitas noitadas, más companhias e bebedeiras. Nessa altura, era deputado pelo MDM. Passou a frequentar a Igreja Ministério Divina Esperança, liderada pelo apóstolo Lourenço Fole.

Mondlane lembra que chegou à Igreja, em 2015, numa fase embrionária, e tinha cerca de 20 membros. E num ano teve uma progressão acentuada e notável, tendo sido consagrado pastor. Ainda é pastor auxiliar, mas por razões de âmbito político já não prega; trabalha com os obreiros na parte doutrinária e dos discipulados, nos bastidores. Chegou a servir, igualmente, na comunicação e imagem da Igreja.

Bibliografia

BIOGRAFIA.CO.MZ. Notas biográficas de Venâncio Mondlane. Disponível em: https://biografia.co.mz/?p=2376. Acesso em: 15 out. 2025.

CNE moçambicana afasta Venâncio Mondlane da corrida autárquica. 2018. Disponível em: https://www.dw.com/pt-002/cne-mo%C3%A7ambicana-afasta-ven%C3%A2ncio-mondlane-da-corrida-aut%C3%A1rquica/a-45151648. Acesso em: 18 set. 2025.

Podemos anuncia ruptura com Venâncio Mondlane e acusa-o de extremismo. 2024. Disponível em: https://www.dw.com/pt-002/podemos-anuncia-ruptura-com-ven%C3%A2ncio-mondlane-e-acusa-o-de-extremismo/a-71679642. Acesso em: 02 out. 2025.

Venâncio Mondlane é novo reforço da Renamo. 2018. Disponível em: https://www.dw.com/pt-002/ven%C3%A2ncio-mondlane-%C3%A9-novo-refor%C3%A7o-da-renamo/a-44710194. Acesso em: 10 out. 2025.

OBSERVADOR. Moçambique. Quem é Venâncio Mondlane: herói ou irresponsável? 2023. Disponível em: https://observador.pt/especiais/mocambique-quem-e-venancio-mondlane-heroi-ou-irresponsavel/. Acesso em: 27 set. 2025.

O PAÍS. Anamola elege seu presidente em Junho de 2026. 2024. Disponível em: https://opais.co.mz/anamola-elege-seu-presidente-em-junho-de-2026/. Acesso em: 06 out. 2025.

O PAÍS. Renamo submete reclamação da exclusão de Venâncio Mondlane. 2023. Disponível em: https://opais.co.mz/renamo-submete-reclamacao-da-exclusao-de-venancio-mondlane/. Acesso em: 30 set. 2025.

VOA – Voz da América. Moçambique: Venâncio Mondlane deixa Renamo e Parlamento e prepara candidatura à presidência. 2024. Disponível em: https://www.voaportugues.com/a/mo%C3%A7ambique-ven%C3%A2ncio-mondlane-deixa-renamo-e-parlamento-e-prepara-candidatura-%C3%A0-presid%C3%AAncia/7640899.html. Acesso em: 09 out. 2025.

VISÃO. Venâncio Mondlane defende movimento amplo para retirar a Frelimo do poder. Lisboa, 10 jul. 2025. Acesso em: 12 out. 2025.

About Author /

É jornalista e webdesigner desde Setembro de 2013. Na sua caminhada jornalística, está registada sua passagem pelo jornal O Nacional; Revista ÍDOLO, onde chegou a desempenhar as funções de editor executivo; para além de ter sido oficial de marketing digital na Ariella Boats. Foi, também, jornalista correspondente da Revista MACAU, em Moçambique. Actualmente é jornalista do jornal Notícias. É, desde 2020, licenciado em jornalismo, pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM). Sua caminhada no mundo do empreendedorismo digital iniciou com o lançamento da plataforma Biografia, em 2016. É também, o fundador do site evangelístico Chave de Davi, em 2018; e da loja online O Ardina Digital. Todos projectos foram concebidos ao lado do seu amigo Deanof Potompuanha.

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