Biografia de Chiquinho Conde
Foi o primeiro moçambicano a jogar em Portugal, de forma legal, após a Independência do país. Realizou o seu maior sonho enquanto jogador profissional. Foi o primeiro moçambicano a jogar numa selecção de África. Partilhou relvados e balneários com jogadores de referência, tal como Luís Figo, Sá Pinto, Juskowiak, Balacov, Peixe, Valckx, Naybet, Marco Aurélio e outros. Estamos a falar de Francisco Queriol Conde Júnior, ou se preferir, Chiquinho Conde.
Nasceu a 22 de Novembro de 1965. É das terras da Beira, capital provincial de Sofala. Na sua família era só desporto, todos os seus sete irmãos, incluindo uma menina, eram desportistas.
O ambiente contaminou Chiquinho, ainda na infância. Ele começou a envolver-se com o desporto ainda em tenra idade, praticando atletismo. Chegou a jogar basquetebol, mas desde menino praticou o futebol nas ruas do seu bairro. Quando pegava na bola de futebol sentia-se um Yazald. Nem conhecia o tal Yazald, ele só ouvia pelo relato de futebol que Yazald era a grande referência do Sporting Clube de Portugal.
A par dos relatos que ouvia pela rádio, Chiquinho rendia-se ao seu irmão mais velho, Orlando Conde. Era fã do irmão. Para ele, Orlando era um jogador fora de comum. E assim foi, os relatos radiofónicos e a admiração pelo irmão levaram-no a optar pelo futebol. O miúdo entrou para os escalões de formação do Clube Ferroviário da Beira, depois foi para o Palmeiras da Beira. A seguir foi transferido para Maputo, vestindo a camisola do Maxaquene, onde conquistou uma Taça de Moçambique.
Tinha talento para o futebol. Era um avançado que despertava atenção do público e tinha espírito de liderança, isso foi reconhecido, aos 17 anos de idade, por via de uma convocatória para a Selecção Nacional de juniores, onde foi capitão.
Dois anos depois, foi convocado para selecção principal, que foi participar do Campeonato Africano das Nações (CAN), que decorreu no Egipto. No CAN, jogou com os seus dois irmãos. Destacou-se naquele que é o maior evento futebolístico em África.

Chiquinho concedeu uma entrevista a um jornal português, no Cairo, durante o evento. A matéria despertou curiosidade. Aquele foi o ponto de viragem na sua visibilidade enquanto jogador. Muita gente quis saber quem era e como jogava, ao ponto de ser convocado para selecção principal com 19 anos e para uma prova de tamanha importância para o continente africano.
Ainda na década de 1980, alguns clubes portugueses faziam jogos de pré-temporada em Moçambique. Em 1986, o Sport Lisboa e Benfica estagiou em Moçambique e apreciou de perto as qualidades de Chiquinho Conde e manifestou o interesse de contratar o jovem atleta.
Naquela altura, ainda não havia legislação sobre a transferência de jogadores para o estrangeiro. E, em Moçambique, quem tinha autoridade para decidir sobre o assunto era o Governo. O Presidente Samora Machel boicotava esse tipo de transferências, pois, defendia-se, na altura, que não se podia “exportar carne humana”. Samora recusou a transferência de Chiquinho para o Benfica.
Conde cresceu numa altura em que o Sporting de Portugal ganhava bastante, e nesse âmbito, nasceu o seu amor pelo clube de Alvalade. Por isso a atitude de Samora não o afectou psicologicamente e continuou a jogar a nível interno. Ainda naquele ano, Samora Machel perdeu a vida, num acidente de avião, a 19 de Outubro. Joaquim Chissano, então ministro dos Negócios Estrangeiros, foi nomeado Presidente de Moçambique, pelo Bureau Político da Frelimo [na altura, Moçambique era monopartidário, não havia eleições].
Em 1987, o Belenenses fez a pré-temporada em Moçambique. Em Maputo, a equipa portuguesa jogou contra o Maxaquene, um jogo que terminou 3-1. Chiquinho marcou o único golo do Maxaquene e fez um jogo brilhante. A Direcção do Belenenses não resistiu e decidiu contrata-lo de imediato. O novo Governo [de Chissano] autorizou e Chiquinho Conde tornou-se o primeiro moçambicano a jogar em Portugal, de forma legal, após a Independência do país, proclamada em 1975.

O avião que transportava Chiquinho aterrou em Portugal no Verão de 1987. Era um desconhecido naquele país. Foi recebido no aeroporto pela delegação do Benfica e do Belenenses. O jovem ficou sem saber onde ia jogar, os dois clubes estavam interessados. Chiquinho ia apenas fazer exames médicos. Mas quando voltou, o Maxaquene foi quem decidiu que fosse para o Belenenses.
Conde não precisou nem de uma hora para mostrar que apesar de desconhecido ele era estrela. No jogo de apresentação, contra o Internacional de Porto Alegre, marcou dois golos logo na primeira parte e, ao intervalo, o treinador Henry Depireux decidiu substituir a coqueluche.
A adaptação de Chiquinho à realidade portuguesa foi difícil. O jovem enfrentou um Inverno horrível para quem saiu de um país como Moçambique, para além de muita chuva que tornava os campos pesados. Mas o sonho de colocar bem alto o nome da sua família e de Moçambique estimulou-lhe a enfrentar todas as adversidades.
No Belenenses jogou por quatro anos (1987/88 a 1990/91), fez 127 jogos e marcou 31 golos. Durante o período, conquistou uma Taça de Portugal, em 1989, depois de eliminar o Sporting de Portugal, FC Porto, e vencer o Benfica, na final. Em 1991, o Belenenses desceu de divisão, Chiquinho entrou em colisão com a Direcção do clube e preferiu rescindir o contrato faltando um ano, tendo se transferido para o Sporting de Braga.
A ida ao Sporting de Braga não foi muito feliz. No Norte de Portugal chovia torrencialmente, treinava em campo pelado e alguns dos seus colegas com pitons de alumínio. Chiquinho não se adaptou, só jogou uma época (1991/92). Fez 26 jogos e marcou cinco golos, e mudou-se para a cidade de Sado, para jogar no Vitória de Setúbal.
Aquilo foi amor à primeira vista. Sado fazia-lhe recordar Moçambique, por ser uma cidade plana. Se no Belenenses teve temporadas memoráveis, no Vitória de Setúbal teve muito mais. No Setúbal viveu sete anos fantásticos e teve a possibilidade de chegar ao ponto alto da sua carreira e cumprir o que já dizia em Moçambique: jogar no Sporting de Portugal.

No clube da cidade de Sado, fez dupla com Rashid Yekini e foi onde marcou mais golos, despertando a cobiça do Sporting de Portugal. Na época 1993/94, fez 15 golos e o seu colega Yekini foi o melhor marcador com 20 golos, levando o Setúbal a regressar para as competições europeias 28 anos depois. O Sporting contactou o V. Setúbal e manifestou o interesse pelo moçambicano. Foi a contratação mais badalada naquele ano.
O atacante integrou um plantel de luxo no Sporting com nomes como Figo, Sá Pinto, Juskowiak, Amunike, Capucho, entre outros, orientados por Carlos Queiroz. Realizou o seu maior sonho e chegou inclusive a oferecer uma camisola do Sporting de Portugal ao seu pai, antes do seu progenitor perder a vida. O pai também era adepto dos “leões”.
No Sporting a concorrência era maior e as convocatórias para Selecção Nacional não lhe ajudaram a firmar-se no clube lisboeta. Na altura, não havia acordo entre a CAF e a FIFA para a realização de jogos. Quando voltava para Moçambique, para jogar pela Selecção Nacional, o campeonato português continuava e quando regressava para Portugal acabava indo para o banco ou para a bancada.
Contudo, Chiquinho fez 26 jogos e marcou três golos, conquistou uma Taça de Portugal e foi vice-campeão da Liga Portuguesa. Depois veio um dos momentos mais tristes da sua carreira. A nível directivo o Sporting atravessava um momento conturbado, Sousa Sintra estava de saída, ia entrar Santana Lopes. Chiquinho tinha assinado três anos, mas só ficou um e meio. Foi envolvido numa polémica após a saída do Carlos Queiroz. O Sporting quis contratar Mauro Soares ao Belenenses e Chiquinho Conde serviu de moeda de troca.
No regresso ao Belenenses, Chiquinho só fez quatro jogos, na época 1995/96. No ano seguinte, por indicação de Carlos Queiroz, Chiquinho mudou-se para os Estados Unidos de América, onde jogou pelo New England Revolution e Tampa Bay. Gostou apenas de ter conhecido EUA, quanto ao futebol estava numa fase muito embrionária, estranhou os métodos de treinos e a cultura futebolística dos jogadores norte-americanos. Ainda naquele ano (1997) decidiu regressar para Portugal, onde foi recebido pelo V. Setúbal.
Chiquinho acreditava que fosse acabar a sua carreira nos EUA, até porque o futebol português estava numa fase conturbada em que os clubes tinham dificuldade de cumprir com as suas obrigações, atrasando salários. Outro factor que o fez acreditar que era melhor ir ao EUA foi a forma como saiu do Sporting, não acreditava que estaria motivado a jogar num clube que estivesse a lutar para não descer de divisão, mas quando chegou aos EUA ficou desmotivado pela forma como se praticava o futebol naquele país. Eram viagens constantes e três jogos por semana. Arrependido, voltou para o Setúbal, onde viu que ainda tinha muito por dar.
Esteve no Setúbal por mais quatro épocas, fez 99 jogos e marcou 34 golos. Depois foi jogar pelo Alverca, na época 2000/01, fez 18 jogos e marcou um golo. A seguir actuou no Portimonense (época 2001/02), onde fez cinco jogos, na segunda liga portuguesa. Foi convidado por um clube francês, o Créteil, fez a pré-época, mas não se adaptou e voltou para Portugal. Apareceu-lhe o convite do Imortal, da II Liga, onde terminou a carreira como jogador profissional.
No seu percurso contabilizam-se 98 jogos pela Selecção Nacional entre 1985 e 2002. Esteve em três das presenças de Moçambique em fases finais do CAN (Egipto-1986, África do Sul-1996, e Burkina Faso-1988).
Quando saiu de Moçambique frequentava o Instituto Industrial de Maputo (Construção Civil), continuou depois em Portugal, já com outro curso, o de Relações Internacionais. Quando estava terminar a carreira decidiu usar a sua experiência como jogador de futebol e habilidade de liderar para ser treinador. Apostou na formação, onde contou com o apoio de Carlos Queiroz, que lhe deu a oportunidade de estagiar no Manchester United e Real Madrid.
Regressou para Moçambique como técnico profissional de futebol de terceiro nível da UEFA, e orientou três grandes clubes nacionais: Maxaquene, Desportivo e Ferroviário de Maputo. Orientou ainda o Vilankulo FC. Mas foi no Ferroviário de Maputo onde evidenciou-se como treinador ao conquistar o Campeonato Nacional e a Taça de Moçambique, em 2009.
O seu melhor momento, em termos de resultados desportivos nos clubes, viria a acontecer em 2018, quando a União Desportiva do Songo, sob o seu comando técnico, conseguiu a inédita qualificação para a fase de grupos da Taça da Confederação Africana (CAF Confederation Cup), ao vencer o Al-Hilal Al-Ubayyid, do Sudão, por um agregado de 4-3, na última eliminatória de acesso à fase de grupos. Regressou depois a Portugal, ainda em 2018, assumindo o comando técnico dos Sub-23 do Vitória de Setúbal.

Chiquinho no Vitória de Setúbal
No clube sadino, o contrato era válido por dois anos. Durante a sua primeira época (aproximadamente 41 jogos), obteve 16 vitórias, 10 empates e 15 derrotas. Na segunda (cerca de 37 jogos: 34 para a Liga Revelação, dois de pré-época e um amigável), registou 14 vitórias, sete empates e 16 derrotas. O acordo terminou em Junho de 2020, e o Setúbal anunciou o fim do ciclo.
Sucedeu, entretanto, que a Federação Moçambicana de Futebol (FMF) contratou, nesse ano, Horácio Gonçalves para treinar a Selecção Nacional, os “Mambas”, em substituição de Luís Gonçalves. Após 183 dias de trabalho, foi afastado, alegadamente por maus resultados e mau ambiente no balneário. Para o seu lugar foi contratado Chiquinho Conde, tendo sido apresentado a 26 de Outubro de 2021.
Assinou contrato por objectivos, sendo o principal assegurar a qualificação dos “Mambas” ao Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2023, a realizar-se na Costa do Marfim. Acabou, porém, por fazer melhor do que o exigido, qualificando Moçambique para o Campeonato Africano das Nações Interno (CHAN), disputado apenas por jogadores que actuam nos respectivos países. Nesse torneio, alcançou o feito inédito de apurar os “Mambas” aos quartos-de-final, após terminar a fase de grupos com uma vitória, um empate e uma derrota, em prova decorrida na Argélia, em Janeiro de 2023. Nos quartos-de-final, Moçambique perdeu diante do Madagáscar por 3-1.
Em Setembro de 2023, ano de glória para o futebol moçambicano, os “Mambas” garantiram o passaporte para o CAN da Costa do Marfim, vencendo a congénere do Benim por 3-2, na derradeira jornada da fase de grupos, realizada no Estádio Nacional do Zimpeto, em Maputo. Foi o regresso da Selecção ao maior evento futebolístico africano, 13 anos depois da sua última participação. O terceiro golo foi conseguido no período de compensação (90+4 minutos), por intermédio de Clésio, após cruzamento de Geny Catamo.
Inseridos no Grupo B, os comandados de Conde defrontaram o Egipto, Cabo Verde e Gana. Os “Mambas” terminaram a prova com dois pontos, correspondentes a dois empates e uma derrota. Mesmo não tendo passado da fase de grupos, tal como em anteriores participações, os empates diante do Egipto e do Gana deixaram muitos adeptos de Moçambique satisfeitos com o desempenho, embora alguns não vissem razões para aplausos.
Apesar de ter cumprido os objectivos contratuais, Feizal Sidat, presidente da FMF, revelou que existiam dúvidas quanto à renovação do acordo com Chiquinho, apontando vários episódios para fundamentar a alegação de que o técnico faltara respeito à entidade. O treinador, por seu turno, acusava a Federação de sabotagem ao seu trabalho.

A exposição pública deste ambiente interno ocorreu cerca de 40 dias antes do termo do contrato, em Julho de 2024. Seguiu-se uma pressão inédita dos adeptos para que Chiquinho continuasse no comando técnico. Defendia-se, essencialmente, que tanto Chiquinho como Sidat, deveriam ultrapassar as suas divergências e renovar o vínculo, em prol da Selecção Nacional. Filipe Nyusi, então Chefe do Estado, foi inclusive interpelado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre o caso.
Com efeito, o desentendimento foi ultrapassado e, a 28 de Agosto de 2024, a FMF renovou o contrato com Francisco Conde Júnior, treinador da Selecção Nacional de Futebol AA, os “Mambas”. O novo acordo, válido até 31 de Janeiro de 2026, definiu como missão de Conde guiar a equipa na qualificação para duas competições de grande prestígio: o Campeonato Africano das Nações (CAN) 2025 e o Campeonato do Mundo da FIFA 2026. Ainda nesse ano, o técnico viu o seu nome incluído na lista dos dez melhores treinadores de África, elaborada pela CAF.
A qualificação para a fase de grupos do CAN 2025 foi conseguida. A Selecção moçambicana derrotou, a 19 de Novembro de 2024, a congénere da Guiné-Bissau (1-2) e garantiu o seu apuramento para o CAN Marrocos 2025 [21 de Dezembro de 2025 a 18 de Janeiro de 2026]. Esta vitória colocou o país no segundo lugar do Grupo I, com 11 pontos, atrás do Mali, que somou 14. Assim, Chiquinho Conde alcançou o feito de qualificar a Selecção para dois CAN consecutivos.
O seu percurso no mundo do futebol foi homenageado pela Universidade Púnguè, que lhe outorgou o título honorífico de Doutor Honoris Causa em Ciências do Desporto, reconhecendo-o como digno destinatário desta distinção, por ser uma figura emblemática do futebol nacional, ter representado o país com distinção no panorama desportivo, ser símbolo de patriotismo e por ter dado um contributo inestimável para o desenvolvimento do desporto moçambicano.
Bibliografia
Mais Futebol. Chiquinho Conde: Samora Machel impediu um leão de jogar no Benfica. 02/07/2015
Diário de Notícias. Chiquinho Conde à procura de fazer história em Cahora Bassa. 07/05/2017
Jornal de Notícias. Treinador Chiquinho Conde renovou por… 10 anos. 06/12/2011
CMJornal. Chiquinho Conde ainda activo aos 37 anos. 12.09.02
Record. Chiquinho Conde regressa à selecção de Moçambique. 23/04/2001
FMF. CHAN 2022: Mambas saem com honra e história. 28/01/2023
CNN Portugal. Vitória de Setúbal: Chiquinho Conde de saída. (s/data)
O País. Chiquinho Conde deixa Vitória de Setúbal. (s/data)
Record. Chiquinho Conde deixa os sub-23 do V. Setúbal. (s/data)
O País. Horácio Gonçalves já não é seleccionador dos Mambas. (s/data)
Jornal Desafio. Gonçalves só durou cento e oitenta e três dias. 18/10/2021
O País. FMF troca Gonçalves por Gonçalves nos Mambas. 16/04/2021
O País. Afinal Chiquinho só será apresentado amanhã. (s/data)
Folha de Maputo. É oficial: Chiquinho Conde é o novo seleccionador dos Mambas. (s/data)
Folha de Maputo. Chiquinho Conde orienta sub-23 do Vitória de Setúbal. (s/data)
Mais Futebol. Sub-23: Chiquinho Conde é o treinador do Vitória de Setúbal. 27/07/2018
O País. UD Songo na fase de grupos da Taça CAF. (s/data)
RFI. Futebol: UD Songo em vantagem; Costa do Sol complicou Moçambique. 09/04/2018
FMF. Mambas conhecem os adversários na fase final do CAN 2025. (s/data)
AIM News. Moçambique vence Guiné-Bissau e qualifica-se ao CAN 2025. 20/11/2024
MZNews. Sidat revela os problemas com Chiquinho e deixa aberta a porta da saída. (s/data)
Lance Moçambique. Feizal Sidat diz que continuidade do Chiquinho Conde nos Mambas permanece incerta. (s/data)
Record. Presidente da Federação Moçambicana acusa Chiquinho Conde de ingratidão e de humilhar Paíto. (s/data)
FMF. Presidente da FMF esclarece acusações e reitera compromisso com os Mambas. (s/data)
FMF. FMF e Chiquinho Conde unidos até 2026. (s/data)









