Deizy Nhaquile

Chama-se Deizy Nhaquile, é segunda filha do casal Justino Nhaquile e Cremilda Malendza. Ela é apaixonada por conquistas e já acumula seis títulos do Campeonato Africano de Vela e vai participar dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

O episódio que a colocou na rota do desporto aquático há-de ter começado a desenhar-se com um vendaval que aconteceu em 2005, na Matola. Aquele desastre natural fez desabar a casa onde morava a família Nhaquile, em Khongolote, na cidade da Matola.

Era uma casa arrendada, então os seus pais procuraram um novo tecto e fixaram residência no bairro Triunfo, na Costa do Sol, na cidade de Maputo. Na altura, Deizy tinha cinco anos de idade. No ano seguinte passou a frequentar uma escola no Triunfo. E, em 2010, o coach Ernesto, do Clube Marítimo, visitou a escola de Deizy procurando crianças que queriam fazer natação. Deizy fez parte do grupo que se voluntariou.

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O propósito era ensinar aquele grupo a nadar. Eles não sabiam que a natação era introdução para Vela. Entretanto, ainda em 2010, disseram-lhes: “vocês já sabem nadar, agora vão aprender a fazer Vela”. As crianças não sabiam o que era Vela. Para elas, barco era apenas para pescador.

Os pais de Deizy tinham autorizado que ela praticasse natação, pois também não sabiam que fazia parte da iniciação. A mãe ficou espantada quando soube que a sua filha ia ao alto mar, mas o pai sossegou-lhe com a ideia de que certamente devia haver um controlo e que estava segura. Mais tarde, o clube chamou os pais das crianças para explicar o que estava acontecer e, inclusive, levaram os encarregados e as crianças ao alto mar para ver como era feito o desporto a Vela.

Contudo, Deizy não se simpatizava com desporto. Ela não queria ser velejadora. Certa vez iam fazer o trajecto Maputo – Ilhas Xefina e no meio do mar ela desistiu. Depois de ver que o treinador estava quase na ilha, virou o barco e voltou para o clube. Quando chegou à casa disse à mãe que não queria continuar a praticar aquele desporto, e teve apoio. Mas quando o pai soube da notícia não concordou e obrigou-a a continuar com a prática da modalidade.

O pai tinha visto que outras crianças do bairro, depois que voltassem da escola, envolviam-se em brincadeiras, e não queria que sua filha engrenasse pelo mesmo caminho, por isso obrigou-a a continuar. Assim Deizy não ficava desocupada depois do período escolar.

Coincidiu que no ano seguinte (2011) Moçambique organizou os Jogos Africanos. Então começaram a treinar com maior frequência e tiveram algumas clínicas na África do Sul. Nos Jogos Africanos, uma das crianças do grupo, a Maria, ficou em terceiro lugar e isso abriu os olhos de todo grupo, pois começaram a perceber que tinham talento para competir e ganhar velejadoras de outros países.

Em 2012, Deizy participou do Campeonato Africano de Vela, realizado em Tanzânia e ganhou. Foi então que ela passou a gostar de praticar vela; Deizy provou a sensação de ganhar e percebeu que era o melhor sentimento da vida para ela e apaixonou-se pela modalidade.

Desde então venceu todos campeonatos africanos em que participou, nomeadamente: o “Africano” realizado na África do Sul (2013); Marrocos (2014); Argélia (2015). Os títulos foram conquistados na classe “optmist” e depois passou para classe “laser 4.7”, que é a categoria olímpica. E estando nessa classe venceu o “Africano” de Vela disputado em Moçambique (2016) e o da Argélia (2019), onde carimbou o passaporte que lhe deu acesso aos Jogos Olímpicos de Tóquio.

A vitória em Argélia teve um sabor especial porque custou muito sacrifício, desde cuidado alimentar, convívio familiar, ginásios, e os treinos em si. De 2016 a 2019, Deizy não teve “Africanos”, mas teve de abdicar de muita coisa para treinar e participou em eventos internacionais de vela na China (2017), Dinamarca (2018), Alemanha (2019), e Japão (2019). Envolveu-se naquelas competições como forma de se preparar com atletas de outro gabarito.

Actualmente, Deizy mora em Khongolote. Aliás, dois anos depois de ela começar a praticar vela (2012), enquanto o pai procurava um sítio para construir a casa da família, obteve terreno atrás da casa que desabou em Khongolote, em 2005. Assim, a família Nhaquile mudou-se de Triunfo para Khongolote. Os pais emocionam-se a cada conquista da filha, pois acreditam que o desastre natural e desabamento da casa foi apenas para encaixar Deizy na vela e fazê-la representar Moçambique em competições internacionais.

Apesar de a vida de Deizy estar intimamente ligada à Vela, modalidade que pratica desde 2010, quando tinha 10 anos de idade, a jovem concilia a sua caminhada desportiva com os estudos. Ela é estudante da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), uma das mais prestigiadas instituições de ensino superior no país, frequentando o curso de Licenciatura em Ciências do Desporto.

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É jornalista e webdesigner desde Setembro de 2013. Na sua caminhada jornalística, está registada sua passagem pelo jornal O Nacional; Revista ÍDOLO, onde chegou a desempenhar as funções de editor executivo; para além de ter sido oficial de marketing digital na Ariella Boats. Foi, também, jornalista correspondente da Revista MACAU, em Moçambique. Actualmente é jornalista do jornal Notícias. É, desde 2020, licenciado em jornalismo, pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM). Sua caminhada no mundo do empreendedorismo digital iniciou com o lançamento da plataforma Biografia, em 2016. É também, o fundador do site evangelístico Chave de Davi, em 2018; e da loja online O Ardina Digital. Todos projectos foram concebidos ao lado do seu amigo Deanof Potompuanha.

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