Notas biográficas de Tânia Tomé

Apesar da rotina, durante as 24 horas, ocorrem inúmeros eventos no mundo inteiro. Um deles há-de ter acontecido na cidade de Maputo, a 11 de Novembro de 1981, quando nasceu Tânia Teresa Tomé. A então recém-nascida viria a crescer num ambiente de arte, por influência do seu pai, que é músico. No início da passagem da fase de inteligência simbólica (3 anos de idade), Tânia começou a cantar músicas compostas pelo pai.

Aos sete anos de idade, ganhou a nível da África Austral, o prémio de Melhor Voz, num concurso promovido pela World Health Organization. Após a proeza, o pai decidiu matricular-lhe na Escola Nacional de Música, para aprender a tocar instrumentos. Quando tinha 10 anos de idade, apaixonou-se pela poesia. A paixão nasceu da necessidade de compor as suas músicas.

Contudo, não chegou a terminar o curso. Permaneceu na escola por quatro anos. Tânia queria jogar basquetebol. Ao invés de ir à escola de música, ia jogar. E não foi só o basquetebol que quis praticar, chegou a jogar futsal, na sua adolescência. Ela destacou-se também no atletismo, nas provas dos 800m e 200m, nos jogos escolares, arrebatando prémios. Apesar de ter parado de frequentar a escola de música, continuou a praticar e a escrever poesias.

A veia poética de Tânia floriu. Aos 13 anos de idade, fez parte de um espectáculo de poesia, onde cantou, declamou e tocou ao piano poemas de José Craveirinha, que esteve presente no evento e Tânia teve a oportunidade de conhecer, pessoalmente, um dos nomes moçambicanos mais sonantes da poesia africana.

Os primeiros sinais da sua paixão pelo mundo económico, surgiram naquela idade. Ela produzia colares e bijuteria de missanga, para vender na escola, às vezes à crédito.

Ainda na adolescência – quando tinha entre 15 e 16 anos de idade -, começou a trabalhar numa agência de publicidade como protocolo, assistente e modelo publicitário. Naquela altura, estava a terminar o ensino secundário. Com 17 anos, inicia o seu curso de sonho – economia – na Universidade Católica do Porto, em Portugal. Naquele país europeu, trabalhou como servente de um restaurante da cadeia MacDonalds e, mais tarde, passou a ser técnica de sondagens, e fez diversas pesquisas para entidades de comunicação até ao fim do curso.

Mesmo estando noutro continente, Tânia procurou contribuir para Moçambique. Em 2002, aderiu ao Movimento Humanista, e fez algumas actuações em Portugal, para angariar fundos às crianças desfavorecidas de Moçambique e Angola. Participava em várias associações, com destaque da Indico, Moçambique-Portugal e tantas outras, nas quais apoiava com seu conhecimento e vontade de mobilizar as pessoas.

Conhecida como uma mulher “viciada pelo trabalho”, apesar de estar a frequentar o curso de Economia, ao mesmo tempo que trabalhava, ainda conseguia actuar, tendo saído vencedora em 2001, num concurso de música em Portugal. No fim da Licenciatura, mais uma vez destacou-se, sendo seleccionada em Portugal, como finalista de Economia, para o Programa Contacto da Sonae, onde conheceu pessoalmente Belmiro de Azevedo.

Na conclusão da sua licenciatura em Economia, viveu um dos momentos mais emocionantes da sua vida. Recebera das mãos do então Presidente da República portuguesa, Mário Soares, o prémio de Mérito Académico de África, pelo bom desempenho académico. Refira-se que em terras lusas, fez também a sua pós-graduação em Auditoria e Controlo de Gestão.

Um hobbie que alegra a alma

Em 2004, a jovem envolveu-se em vários projectos: co-autora da antologia “Um abraço quente da Lusofonia”, onde estão representados também todos países falantes da língua portuguesa; fez parte do CD “Encontro”, que teve como finalidade canalizar os lucros para as crianças de Moçambique e Angola. Contudo, decidiu regressar para Moçambique, terra que a viu nascer.

A decisão deu-se numa altura em que a poesia moçambicana estava sem referências femininas, nascidas depois da Independência. Após fixar-se em Moçambique, contribuiu para diversos movimentos culturais, nomeadamente: Movimento 100 crítica; Clave de Soul; e Amigos do Livro. Também, tornou-se membro da Associação dos Escritores Moçambicanos; da Associação dos Músicos Moçambicanos; e dos Poetas del Mundo.

Dois anos mais tarde, juntamente com o músico Júlio Silva, esteve envolvida na produção e apresentação de um programa cultural difundido pela televisão pública. Tânia Tomé destacou-se, em 2008, com o lançamento do projecto “Showesia”, um tributo ao poeta-mor moçambicano, José Craveirinha. Trata-se de um conceito novo introduzido por ela. Showesia é um espectáculo de poesia com uma banda de músicos, ao lado da qual Tânia canta e recita poemas, havendo teatro da poesia, dança da poesia, entre outros. No ano seguinte (2009), lançou o primeiro DVD de poesia em Moçambique.

O projecto teve um impacto dentro e fora de país. O Showesia foi um meio de exportar a cultura moçambicana. Em 2010, por exemplo, a obra foi apresentada em países como a África do Sul, Botswana, Nigéria, Alemanha, Portugal, Brasil, entre outros.

Enquanto artista musical, o auge da sua carreira viria a acontecer após o lançamento da música “Nhi Ngugu Halandza”, um número que fez bastante sucesso nas rádios e televisões moçambicanas, inclusive a cantora foi agraciada com o Prémio África, em 2010. Três anos depois, Tânia Tomé lançou o seu primeiro CD “Dreamloving/Sonhamando”.

A obra foi produzida com fundos da artista, tendo iniciado a gravação em 2010, em diversos estúdios, em Moçambique, África do Sul, e Noruega, com instrumentais dos três países. Trata-se de um álbum que explora ritmos como afro-jazz, blues, soul, ainda alguns ritmos latinos e moçambicanos.

Economia… o sonho materializado com distinções

Tânia Tomé é economista de carreira e trabalha na área bancária há mais de 13 anos. Entre 2010 e 2016, assumiu várias posições de liderança: Directora de Negócios da Ecokaya; Chefe de Crédito e Mitigação de Risco da Gapi; e Chefe de Negócios e de Investimento da Gapi.

No decurso da sua carreira profissional como economista e empreendedora, recebeu diversas distinções: Prémio de Jovem executiva Empresária Líder, pela Global Finance 2015 (UK); Seleccionada para o African Leadership Network 2015; Nomeada Empreendedora Líder Para o Global Entrepreneurship Summit 2015 (kenya-USA); Prémio de Mérito da Presidência de Moçambique 2014; Seleccionada e nomeada Mulher Líder (IVLP Program) pelo Governo de EUA e Embaixada  Americana, entre outros.

Em 2016, Tomé foi uma de mil jovens líderes, nomeada como Young African Leader, pelo Presidente Barack Obama e o Mandela Washington Fellowship.

Tânia é também activista,  autora,  formadora e palestrante, formada em Projectos de Investimento e Empreendedorismo pela Certform (Portugal). É igualmente formada nas seguintes áreas: Contabilidade e Fiscalidade pela Certform (Portugal); Avaliação Financeira de Projectos de Mineração pela IETEC (Brasil).

Ela é, ainda, presidente em várias associações: Associação para o Desenvolvimento; Júri da Competição de Planos de Negócios;  Associação dos Antigos Alunos de Moçambique da Universidade Católica Portuguesa; e Vice-presidente da Associação Moçambique Verde;  Membro da Amecon,  entre outros…

Foi Presidente da Mesa de Júri,  na competição de jovens empreendedores da “ONE”, e foi  a porta-voz da Conferência Nacional de Empreendedorismo da ANJE em Moçambique.

A sua esfera de network vai além fronteiras moçambicanas, conhecendo líderes do sector privado e públicos de diferentes países do mundo, tendo recebido felicitações de mais três  presidentes de diferentes países. Actualmente, Tânia Tomé é mãe de três rapazes, e é casada desde 2007.

Referências bibliográficas

“O Palco é minha casa”. Lua [cidade de Maputo] 28 de Junho de 2013: pág. 12-18. Impresso.

“Trabalho pela qualidade e unicidade das coisas”. ÍDOLO [cidade de Maputo] Dezembro de 2014. Impresso.

“A arte corre-me pelas veias”. ÍDOLO [cidade de Maputo] Agosto de 2010: pág. 36-39. Impresso.

António Miranda, 2004-2016. [consult. 20-05-23 23:16:19] Disponível na internet: http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_africana/mocambique/tania_tome.html

DN. 2015-2016. [consult. 20-05-23 20:50:17] Disponível na internet: http://www.dn.pt/artes/interior/a-mocambicana-tania-tome-reune-poesia-em-showesia-1909424.html

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É jornalista e webdesigner desde Setembro de 2013. Na sua caminhada jornalística, está registada sua passagem pelo jornal O Nacional; Revista ÍDOLO, onde chegou a desempenhar as funções de editor executivo; para além de ter sido oficial de marketing digital na Ariella Boats. Foi, também, jornalista correspondente da Revista MACAU, em Moçambique. Actualmente é jornalista do jornal Notícias. É, desde 2020, licenciado em jornalismo, pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM). Sua caminhada no mundo do empreendedorismo digital iniciou com o lançamento da plataforma Biografia, em 2016. É também, o fundador do site evangelístico Chave de Davi, em 2018; e da loja online O Ardina Digital. Todos projectos foram concebidos ao lado do seu amigo Deanof Potompuanha.

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